O ano que passou foi um ano negro nas estradas do Faial. Os resultados estatísticos finais não estão disponíveis no site do SREA, mas às duas pessoas que morreram nos primeiros meses do ano, irão, acredito, adicionar-se dois atropelamentos que tiveram lugar no final do ano. Desconheço se houve mais mortes, mas quatro mortos nas estradas durante um ano é já um valor mais alto que o dos registos disponíveis no site do SREA, onde se encontram dados para acidentes nas estradas desde 2001. Nos anos de 2003, 2005 e 2011 houve três mortos por ano nas estradas do Faial e nos restantes os valores variaram entre zero e dois. A média de mortes por ano no Faial nos últimos dez anos é de 1,4. Logo, este valor de 2021 já é significativamente maior do que as estatísticas habituais.
Embora este valor isolado não possa, de forma nenhuma, ser tomado como prova de qualquer tendência, penso que é suficientemente alto para nos fazer parar e pensar. Qualquer morte que possa ser evitada vale a reflexão e o esforço para melhorar a segurança rodoviária da ilha. Perturba-nos ainda mais o facto de um destes atropelamentos ter ocorrido na cidade, numa zona onde circulam muitas pessoas a pé, junto a um dos supermercados da ilha, onde existe uma passadeira.
Quem vive no centro da cidade sabe perfeitamente que a qualquer hora do dia e ainda mais frequentemente de noite, há veículos a circular a velocidades muito acima das permitidas legalmente. Isto acontece com muita frequência na Avenida 25 de Abril, na Rua Marcelino Lima, na Rua Cônsul Dabney, na Rua Vasco da Gama e na Rua Príncipe Alberto do Mónaco, entre outras. São zonas onde há pessoas a circular a pé, ruas que são utilizadas por pessoas de mais idade e/ou crianças a qualquer hora do dia e a algumas horas da noite.
Há poucos dias a Sra. Secretária das Obras Públicas e Comunicações apresentou a campanha de segurança rodoviária, da responsabilidade da Prevenção Rodoviária Açoriana, que este ano tem a velocidade como um dos temas principais. Ana Carvalho mencionou, e bem, o papel fundamental das forças de segurança. Por estes dias e no âmbito da campanha, temos visto personalidades regionais na RTP Açores, algumas delas dos desportos motorizados, a chamar a atenção para este problema.
A sensibilização é, sem dúvida, importante. No entanto, algumas medidas concretas da fiscalização da velocidade dos automobilistas, de reordenamento do trânsito e de alteração dos limites de velocidade na nossa cidade teriam efeitos muito mais imediatos no combate à sinistralidade rodoviária. O Bloco de Esquerda teve oportunidade, na campanha eleitoral autárquica, de mencionar algumas delas: limite de velocidade de 30 km/h no centro da cidade, passadeiras elevadas, zonas de coexistência com segurança reforçada para os peões e demarcação de ruas pedonais. O assunto é dos mais sérios e urgentes para a ilha.