Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar

António Variações deixou um esplêndido legado musical que todos sabemos reconhecer. Entre o reportório encontra-se Muda de vida, uma música que nos apela a refletir sobre se estamos bem onde estamos, sobre a necessidade de mudança. É uma ode ao otimismo e, apesar de a podermos acusar de ingenuidade, é uma excelente forma de ver a vida.

Por vezes é preciso fazer decisões que contrariam o que antes se fez ou se defendia. Sobre as posições, Mark Twain dizia que só os estúpidos não mudam de opiniões ao longo da vida; sobre atitudes, o Variações diz que a vida não tem de ser um castigo. Não deixa de ser frustrante olhar para trás e ver que o tempo foi investido nalgo posteriormente abandonado, provavelmente forças e energias foram movidas. Não obstante, faz parte do processo de crescimento e autodescoberta essa mudança, é a forma de sabermos o que melhor que encaixa para nós, a forma como podemos ser mais úteis para a sociedade. Se chegarmos ao fim e pudermos dizer que estamos felizes, então já valeu a pena. Temos de aproveitar o facto de estarmos em Portugal e na Europa. Apesar das desigualdades também aqui se sentirem, de muita gente ter direitos básicos ameaçados, temos uma faixa considerável da nossa população cujos problemas não são se quer comparáveis àqueles que afetam o designado terceiro mundo.

Recentemente eu próprio passei por um processo que evoca esta mudança: a alteração de licenciatura. No semestre passado, do meu segundo ano de Física, tive um aproveitamento académico precário, pela primeira vez reprovei a cadeiras. Foi este insucesso que me fez meditar sobre aquilo que estava a fazer. Aí me apercebi que, apesar de gostar das temáticas e simpatizar com ter um papel a dizer que estava diplomado em Física, a verdade é que isso podia não ser suficiente. E não é. Como estava a conseguir ter aprovação, apesar de todo o sobre esforço e o que de negativo podia advir, simplesmente engolia e continuava. Uma espécie de lei de inércia: é preciso aplicar uma força externa para mudar o movimento.

Ao pensar sobre o assunto acabei por resolver, no último dia possível, tomar a decisão de me candidatar ao concurso nacional de acesso ao ensino superior, já que era o meu último ano em que podia usar os exames que fiz no 12.º. Agora, para quem realizou os exames a partir de 2022, inclusive, tem uma validade de 4 anos. Fiz todo o processo nesse dia e submeti.

Daquilo que andei a cogitar, cheguei à conclusão que Filosofia seria a melhor opção. Era o curso que considerava de sonho, mas que não fui porque ou achava que não tinha saída, ou que era menos prestigioso, por algum motivo, que Física. Neste momento, tenho os dois argumentos desmontados e, por isso, sinto-me seguro da decisão. A necessidade de olharmos para o ensino superior exclusivamente como um trampolim para termos estabilidade financeira, tornando a nossa busca limitada àquilo que consideramos que facilita a nossa entrada no mercado de trabalho, pode sair-nos cara.

Evidentemente que nem todos nós nos podemos por a saltitar de cursos, existem encargos financeiros, são mais anos de estudo. Temos de ter isto em conta. Mas um esforço maior agora, para termos uma carreira laboral que nos sejas mais satisfatória pode compensar e muito. No meio de todas estas minhas questões, percebi que muitos amigos meus, ou amigos de amigos, acabaram por mudar de curso ou demorar mais tempo a acabar um. É normal não termos uma trajetória no ensino superior linear.