A nossa missão

Este início de semana o Bloco em Santa Maria definiu os seus candidatos para Vila do Porto. Serei candidato à Câmara Municipal de Vila do Porto. Acho importante dedicar hoje estas palavras a falar do porquê, da motivação que anima esta decisão – minha e das pessoas marienses do Bloco.

Muitas vezes fala-se em dar à terra o que a terra nos deu, ou então fala-se do sentir o dever. Ambas estas perspetivas têm problemas e muitas vezes mais não parecem do que exercícios demagógicos, artífices. Confesso que a minha motivação pode ser um acidente, um mariense que tropeçou nas condições certas. Para mim, aceitar estes desafios são uma forma de aliviar a consciência: quando os meus netos me perguntarem o que fiz para melhorar a vida deles, posso dizer que, pelo menos, tentei influenciar o rumo político da nossa comunidade. Onde se falava em riqueza e dinheiro, passou-se a falar em bem-estar e justiça; onde se falava em guerra e ódio, passou a paz e cooperação. É por ter esta perspetiva que me parece quase incompreensível haver quem renegue aos seus direitos políticos de participação, quer seja votando como candidatando, especialmente quando são pessoas que tanto criticam tudo e todos. Talvez o que isso queira dizer é que não têm um projeto, uma visão.

Nós temos um plano. Sabemos bem que queremos chegar a uma comunidade mais justa e solidária e sabemos que não há soluções mágicas. Reconhecemos que a realidade é complexa e articulada, razão pela qual preferimos falar em ações a tomar, caminhos a percorrer, ao invés de colocar as propostas em temas. Identificámos três ações fundamentais: desenvolvimento, sustentabilidade e participação. O desenvolvimento traz condições de vida. A sustentabilidade traz boas condições de vida. A participação garante as boas condições de vida. Trata-se de implementar o progresso autossustentável e democrático.

Sabemos ao que vimos. Não temos ilusões de grandeza. Sabemos que nos candidatamos para eleger vereadores, deputados municipais e de freguesia, longe do ideal de ganhar a maioria dos órgãos – por agora. Aquilo que temos de mostrar é que essa eleição, mesmo que não num contexto de vitória, impede que haja maiorias absolutas, que o PS ou PSD governem sozinhos. A eleição de vereadores e deputados do Bloco permite influenciar a política local, desempatar o que antes passava sem esforço. Desta tensão temos a defesa dos interesses da nossa terra.

Estou nesta luta para passar esta mensagem. Uma política que pode ser diferente. Que confiar em quem realmente acreditamos e que nunca teve uma oportunidade para fazer, pode trazer progresso. Estamos conscientes da dificuldade de passarmos esta mensagem. As pessoas estão totalmente desanimadas com a política. É frustrante quando alguém assim não percebe que nós também: é por não gostarmos da forma como a política está hoje que nos damos a este trabalho todo.

É um trabalho, portanto, ingrato aquele que nos espera. Mas é necessário e de consciência tranquila. É necessário porque os marienses merecem uma atuação política que não dependa dos interesses partidários. De consciência tranquila porque é feito abertamente e renegar aos nossos valores.

Esta candidatura que abraço não é um espaço que tem de ser preenchido. É uma nova liberdade que é dada aos marienses, uma outra cruz no boletim de voto que signifique esperança. O apelo que aqui deixo é para que ninguém fique indiferente.