“A gestão das cantinas das escolas não pode ser um negócio”

“A gestão das cantinas das escolas públicas não pode ser um negócio”, disse o deputado Paulo Mendes, que defendeu hoje no parlamento que devem ser as escolas a confeccionar as refeições servidas nas suas cantinas, em vez de este serviço ser efetuado por empresas privadas que estão mais preocupadas em obter o maior lucro possível do que com a qualidade das refeições.

O deputado do BE considera que “não faz sentido entregar a responsabilidade pela qualidade das refeições servidas aos alunos da escola pública à lógica do negócio”, por isso, a proposta do BE – chumbada hoje no parlamento – recomendava ao Governo Regional que garantisse os recursos materiais, financeiros e humanos necessários para que a partir do próximo ano letivo as escolas pudessem voltar a ficar responsáveis pela confecção das refeições que servem nas suas cantinas.

“Algo não está bem no que respeita à quantidade, qualidade nutricional e de confeção das refeições servidas em muitas escolas públicas da Região”, alertou Paulo Mendes, referindo-se às refeições confecionadas por empresas privadas, e que têm originado queixas por parte de alunos. O deputado apresentou mesmo fotografias com exemplos de refeições sem qualidade que foram servidas em escolas em que a confeção está a cargo de empresas privadas.

O deputado do BE acusa o Governo Regional de ter empurrado as escolas para esta solução de concessionar o fornecimento de refeições a empresas privadas, e de incentivar estas empresas a praticar preços cada vez mais reduzidos, o que se traduz no recurso a pessoal precário e mal remunerado, e é um convite à prática de ‘dumping’ e um atentado contra a qualidade das refeições.

Há três anos, “o BE apresentou uma iniciativa para que se aferisse da qualidade das refeições escolares, com o objetivo de perceber o que, realmente, se anda a passar nas cantinas das escolas públicas. Contudo, talvez por receio do retrato que poderia resultar dessa avaliação, o PS reprovou a iniciativa”.

“Três anos depois da rejeição, por parte da maioria do PS, o Secretário Regional da Educação e Cultura não consegue ainda realizar uma avaliação comparativa da qualidade das refeições servidas nas escolas que concessionam as refeições a empresas de catering e as poucas escolas que resistem, e gerem diretamente as suas cantinas e confecionam as suas próprias refeições.

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