“A incineração só não será um elefante branco se a TERAMB fizer batota e incinerar resíduos recicláveis”

“A incineradora só não será um autêntico 'elefante-branco', se a Teramb, da responsabilidade de ambas autarquias terceirenses, fizer «batota» e passar a incinerar resíduos recicláveis (plástico), o que impedirá o cumprimento da meta comunitária para a reciclagem”, alerta a Comissão Coordenadora do Bloco de Esquerda da Ilha Terceira.

Quando o lixo dos aterros e lixeiras a céu aberto da Terceira e outras ilhas do grupo central e ocidental se esgotar, num processo de abastecimento à incineradora da ilha Terceira que terá um custo, por enquanto, desconhecido, e sem que saibamos quem será o responsável pelo seu pagamento, provar-se-á que não haverão resíduos suficientes para viabilizar o seu funcionamento, pois as ilhas do grupo central e ocidental estão a utilizar, e bem, o Tratamento Mecânico e Biológico de pequena escala, o que lhes permite produzir pouco lixo passível de vir a ser incinerado.

Perante as notícias que dão conta do início do funcionamento da incineradora para tratamento de resíduos na ilha Terceira, o BE critica o facto de, quer a tecnologia utilizada, quer a actual capacidade de processamento de resíduos, não corresponder ao projecto que foi sujeito a estudo de impacto ambiental. Não se tratam de características menores.

Se na fase de estudo de impacto ambiental, a capacidade de processamento anunciado era de 66 mil toneladas, em novembro de 2014 já era de 40 mil e, agora, é de 35 mil. Pese embora a redução, entendemos que ainda se encontra sobre-dimensionada para a nossa realidade.

Se na fase de estudo de impacto ambiental e no caderno de encargos do primeiro concurso, a tecnologia adotada seria a pirólise/gaseificação, agora constatamos que afinal será a incineração por grelha, a tecnologia mais comum, a mais barata e também a mais poluente.

O estudo de impacto ambiental partiu de uma comparação enviesada, ao limitar-se, unicamente, ao contraste entre a situação atual (aterro sem condições e viabilidade futura) e a incineração, e excluiu outras soluções como o TMB de resíduos, pelo que não são compreensíveis as conclusões infundadas de responsáveis pela empresa intermunicipal 'Teramb', quando alegam que a TMB não seria adequada à nossa realidade.

O estudo de impacto ambiental, ao não ter em conta a hipótese da TMB, exclui um conjunto de experiências, bem sucedidas em Portugal e que demonstram que se trata de uma tecnologia que incrementa a reciclagem, tem um reduzido custo de investimento, aumenta as receitas resultantes do encaminhamento dos recicláveis para a 'Sociedade Ponto Verde', viabiliza a utilização de composto para a agricultura (a CE nunca rejeitou tal possibilidade) e cria mais postos de trabalho.

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