“Afinal, tinham razão aqueles que, já há três anos, afirmavam que a reestruturação da dívida era a única solução”. A frase da deputada Zuraida Soares refere-se ao manifesto assinado por 70 personalidades de diferentes quadrantes políticos – da esquerda à direita – como Manuela Ferreira Leite, do PSD, Bagão Félix, do CDS, e mesmo Carlos César, ex-presidente do Governo Regional dos Açores e actual presidente honorário do PS/Açores.
Zuraida Soares lembrou os nomes que chamaram ao Bloco de Esquerda por, numa atitude séria e responsável, em defesa do País e do povo português, ter defendido a reestruturação da dívida: “irresponsável, estratosférica, retro-futurista, ilusionista, demagoga, irrealista”. O tempo, no entanto, fez com que alguns dos que chamaram estes nomes tenham, entretanto, vindo ao encontro das ideias do BE.
O Bloco de Esquerda saúda, assim, a evolução de pensamento de Carlos César, lamentando apenas o facto de ter sido tardia.
Zuraida Saores salientou que a alternativa à reestruturação da dívida, apresentada e defendida pelo Governo da República e pelo Presidente da República é inconcretizável porque parte de um pressuposto totalmente irrealista: a ideia de que Portugal pode conseguir ter uma taxa de crescimento anual de 3% durante 30 anos consecutivos. Crescimento que Portugal nunca conseguiu um único ano, e que um país como a Alemanha, por exemplo, só conseguiu dois anos, nos últimos 17.