“Enquanto houver um País e uma Europa marcados pela desigualdade, por políticas que conduzem ao empobrecimento, que retiram o pouco que os explorados têm para entregar àqueles que sempre exploraram, o BE terá sempre causas pelas quais se irá bater”, disse o deputado do Bloco de Esquerda no parlamento açoriano, Paulo Mendes.
O deputado criticou hoje PS, PSD e CDS por apoiarem o Tratado Orçamental, um instrumento europeu que irá impor ainda mais austeridade, para além da Troika, e por se recusarem a permitir a realização de um referendo a este tratado. Paulo Mendes garantiu que “o BE vai continuar ao lado dos trabalhadores e pensionistas”.
Para perceber o processo que está em curso na Europa, Paulo Mendes lembra as palavras do comissário europeu, Olli Rehn, que disse que “o cumprimento das metas não é o mais importante, o mais importante é a implementação das reformas”. “E que reformas são estas? O empobrecimento, a retirada de direitos aos trabalhadores, o reforço daqueles que exploram e o enfraquecimento dos que sempre foram explorados”, conclui o deputado do Bloco.
Num âmbito de uma declaração política proferida esta manhã, Paulo Mendes considerou que “o resultado lógico da tremenda derrota da coligação PSD/CDS só devia ser a demissão do Governo da República e a convocação de eleições antecipadas”.
O deputado bloquista não fugiu há realidade e assumiu que o BE não atingiu seus os objectivos nas eleições europeias.
Paulo Mendes mostrou também preocupação pelos valores da abstenção em toda a Europa. Situação que o deputado atribui, em grande parte, ao facto de a União Europeia ter sido construída sem a participação dos povos, “um processo que tem sido agravado com os sucessivos tratados, do qual o Tratado Orçamental é o corolário de tal processo antidemocrático”.