“Não queremos uma base militar na nossa terra que serve para invadir outros povos para defender interesses que não são os de Portugal e muito menos dos Açores, como foi o caso do Iraque”, disse a candidata do Bloco de Esquerda Açores ao Parlamento Europeu, no âmbito do debate sobre a Base das Lajes que teve lugar na noite de quinta-feira na ilha Terceira.
Lúcia Arruda salientou que a posição geoestratégia dos Açores tem um potencial económico que vai muito além da sua utilização militar, mas que a vertente económica nunca será aproveitada enquanto a Base das Lajes tiver uma utilização bélica.
“A existência da base militar, mesmo que adormecida, é impeditiva de qualquer utilização comercial daquele espaço, porque ninguém vai investir o que quer que seja numa estrutura que a qualquer momento tem de parar para fazer uma guerra, prejudicando o negócio”, explica Lúcia.
A candidata do BE não acredita que se confirme a instalação do AFRICOM nos Açores, e entende que, mesmo que tal venha a acontecer, o impacto será muito reduzido.
O Bloco de Esquerda insiste na defesa da aplicação de uma moratória para a saída definitiva dos Estados Unidos da Base das Lajes, exige o pagamento de indeminizações majoradas aos trabalhadores que sejam despedidos, e entende que os Estados Unidos devem compensar financeiramente a economia da Terceira, assim como responsabilizar-se por reparar os danos ambientais provocados.
Lúcia Arruda considerou fundamental para o futuro da ilha Terceira que se inicie já o estudo para implementação, na Base das Lajes, de uma plataforma logística de apoio à aviação civil em conjugação com a hipótese de um porto oceânico de apoio à navegação, que deverá tornar-se mais intensa devido ao alargamento do canal do Panamá.
“Se os Açores têm uma posição geoestratégica de excelência para fins militares, também têm uma posição geoestratégica de excelência para fins civis, e esta vertente que deve ser potenciada”, assinalou Marisa Matias, candidata do BE ao Parlamento Europeu.
“Se fizermos as contas aos benefícios que a ocupação america da Base das Lajes trouxe para a Terceira, em comparação com os benefícios para os EUA, é evidente que tem quem que pagar a reconversão daquele território, as indeminizações aos trabalhadores e a recuperação dos danos ambientais são os americanos”, concluiu.