“Não será com este governo que os Açores mudarão, não será com este governo que a pobreza e a desigualdade” vão diminuir nos Açores, “porque este governo tem como opção de desenvolvimento para os Açores a mesma economia e a mesma sociedade desigual”, e além disso, para agradar ao Chega – parceiro que suporta o Governo – ainda ataca aos pobres, nomeadamente aqueles que recebem o RSI, apontou hoje o líder do Bloco de Esquerda no parlamento.
Numa declaração política sobre o combate à pobreza e às desigualdades sociais, e a propósito dos 25 anos da criação do Rendimento Social de Inserção, António Lima criticou a postura do Governo do PSD, CDS e PPM, com o apoio do Chega e do IL, que chama subsídio-dependentes aos beneficiários do RSI.
Para responder às “venenosas e injustas palavras daqueles que dizem que quem recebe o RSI não quer trabalhar”, o líder do Bloco de Esquerda salientou que, em 2020, 8,9% dos beneficiários do RSI tinham rendimentos do trabalho e 38,1% são idosos e crianças: “Percebe-se então que praticamente metade dos beneficiários nos Açores não pode trabalhar ou trabalha”.
Mas “a insensibilidade social do PSD do CDS e do PPM chegou a tal ponto que o preço que os açorianos e açorianas vão pagar para a sobrevivência política deste governo é o corte a direito no RSI, para o centralista Ventura apresentar como vitória nas guerras da direita nacional, atirando para a miséria milhares de açorianos, muitos deles crianças e idosos”, apontou o deputado do Bloco de Esquerda.
António Lima considerou mesmo vergonhoso o silêncio do Governo Regional perante a difamação que André Ventura faz dos açorianos como sendo um exemplo de abusadores do RSI. Uma ideia que as estatísticas provam estar errada, porque “a esmagadora maioria dos beneficiários cumpre com as suas obrigações”: apenas 10% dos casos de suspensão da atribuição do RSI se devem a incumprimento pelos beneficiários.
“Os dados e os estudos sobre esta matéria apontam que a pobreza nos Açores está associada aos baixos salários e à precariedade” e “é por isso evidente que para se combater a pobreza na região é preciso que se melhore a qualidade do emprego”, disse António Lima.
Mas isso não vai acontecer com este governo, porque os partidos que o integram defendem uma economia baseada no setor primário e no turismo, que se caracterizam pelos baixos salários e pela precariedade.
“É óbvio que só uma alteração de fundo na nossa economia poderá permitir a criação de emprego de maior qualidade”, concluiu o deputado do Bloco de Esquerda.