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“Pacote de medidas de combate ao desemprego é tentativa de esconder submissão à Troika”

 

O Bloco de Esquerda considera que as 60 medidas para a criação de emprego e competitividade empresarial recentemente apresentadas pelo Governo Regional falham o objectivo de ser uma resposta imediata e concreta à actual situação de emergência social. Pagar o subsídio de natal, aumentar o salário mínimo regional e elaborar um Plano de Reabilitação Urbana com mais verbas e melhores condições são as soluções do Bloco de Esquerda para combater o desemprego e estimular a economia.

“A falta de liquidez das empresas é consequência directa da falta de liquidez das pessoas”, alertou Zuraida Soares, acrescentando que a medida mais imediata para fazer face a este problema é voltar a pagar o subsídio de Natal, que foi roubado pelo Governo da República.

A Região tem poderes para o fazer e, segundo o próprio Governo Regional, o pagamento deste subsídio não poria em causa as contas dos Açores.

“Então porque é que o Governo não paga este subsídio aos trabalhadores do sector público nos Açores? Porque o PS mentiu ao afirmar que ficava tudo na mesma depois da assinatura do Memorando de Entendimento com a República: na verdade a Autonomia foi hipotecada”, atira a deputada da Representação Parlamentar do BE na Assembleia Legislativa dos Açores.

Zuraida Soares considera mesmo que o principal objectivo deste pacote de medidas foi tentar esconder a submissão do Governo Regional às políticas do Governo da República PSD/CDS e da Troika, a que este memorando agora obriga.

Zuraida Soares criticou o facto de apenas três medidas, das sessenta apresentadas, serem de aplicação imediata, e de as restantes, serem pouco objectivas e sem efeitos quantificáveis. “Quantas empresas irão encerrar até que algumas das medidas agora anunciadas produzam efeitos práticos?”, lamentou.

Quanto à medida que prevê a criação de mil postos de trabalho no sector da madeira – uma das poucas medidas concretas que não vêm do passado –, o Bloco desconfia que seja só propaganda, até porque o Governo não especifica qual a entidade que vai dirigir o processo, nem apresenta o estudo de viabilidade da empresa, ou empresas, para tão grande objectivo. “É tudo tão em cima do joelho que nos leva a concluir que é só propaganda”, disse a deputada do Bloco.