“Plano e Orçamento para 2015 é mais do mesmo”

“Plano e Orçamento para 2015 é mais do mesmo”. A crítica é da deputada do Bloco de Esquerda no parlamento dos Açores, que diz que “está à vista de todos que mais do mesmo não nos leva a lado nenhum. É preciso alterar modelos de desenvolvimento, alterar prioridades, e fazer apostas sérias na investigação científica, nos produtos agro-alimentares que diminuam as importações, e na reabilitação urbana como forma de dinamização da economia”.

É, aliás, pela reabilitação urbana que o Bloco entende que deve passar uma grande fatia do investimento público no próximo ano, porque uma forte aposta neste sector irá permitir não só manter, mas também criar, muitos postos de trabalho no sector da construção civil, que foi o mais afectado pela crise, e que mais contribui para os números de desemprego.

O BE insiste assim numa aposta séria na reabiliação urbana pública e privada. Para o sector público o BE defende uma verba de 75 milhões: “Continuamos a defender que haja protocolos entre o Governo Regional e as autarquias para a reabilitação de espaços e imóveis públicos, por forma a criar sinergias e evitar duplicação de investimentos”.

Tendo em conta que são cada vez menos as pessoas que têm capacidade financeira para recuperar os seus imóveis, e que o acesso ao crédito bancário é cada vez mais difícil, o BE defende a criação de uma linha de crédito de 50 milhões de euros, com uma carência de dois anos, sem juros, para a reabilitação privada.

“Estas duas medidas irão contribuir para criar e manter postos de trabalho no sector mais afectado pela crise, que foi a construção civil, que indirectamente dinamiza muitos outros sectores de actividade económica. Estaremos a salvar empresas e postos de trabalho”, explica Zuraida Soares.

Numa reunião realizada hoje com a AICOPA (Associação dos Industriais de Construção Civil dos Açores), a deputada revelou ainda que o BE vai apresentar nova proposta para acabar com o abuso das derrapagens financeiras em obras públicas.

A proposta já foi ao parlamento várias vezes, mas tem sido consecutivamente chumbada. O voto dos restantes partidos da oposição tem, no entanto, evoluido com o aperfeiçoamento da própria proposta. Tanto é que na última votação, PSD, CDS, PCP e PPM, votaram a favor, ao lado do BE, e apenas o PS, que tem maioria absoluta, impede, neste momento, que haja uma redução do limite de autorização para de derrapagens financeiras em obras públicas, que actualmente está fixado em 25% do valor da obra.

O BE recolheu contributos da AICOPA que possam ser introduzidos na nova proposta para que a mesma possa receber o apoio da associação que representa o sector da construção civil.

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