“Redução do preço do passe social teria impacto social e ambiental positivo”

“Só quem nunca ganhou o ordenado mínimo e teve que andar de autocarro todos os dias para o trabalho é que pode achar que os preços do passe social não são proibitivos”, disse a deputada Lúcia Arruda na defesa da proposta do Bloco de Esquerda para baixar o preço do passe social para os transportes públicos nos Açores, que foi chumbada apenas com os votos contra do PS.

A redução do preço do passe social teria um impacto positivo não só a nível social, permitindo a utilização de transportes públicos pelos trabalhadores com redimentos mais baixos, mas também a nível ambiental, pela redução da utilização do automóvel particular.

O Bloco de Esquerda viu ainda ser rejeitada uma proposta para a implementação do passe social intermodal – para a utilização de meios transportes diferentes, autocarro e navios, nas ilhas do triângulo – e combinado – para utilização dos transportes de mini-autocarro dentro das cidades, com ligação aos autocarros para fora dos centros urbanos. A proposta rejeitada previa ainda um regime de redução de preços dos passes sociais para jovens trabalhadores com rendimentos reduzidos, pessoas portadoras de deficiência e idosos, e um regime de isenção de pagamento para desempregados e beneficiários do RSI.

A deputada do Bloco de Esquerda referiu que o número de passageiros que recorreram aos transportes colectivos nas carreiras interurbanas – aquelas em que seria de esperar um maior impacto com a introdução do passe social – não aumentou significativamente desde a implementação deste passe, alertando que, “se nada for feito para baixar os preços e adequar os horários às necessidades para população, o passe social será um enorme fracasso”.

“Como se pode esperar que os transportes coletivos de passageiros registem movimentos pendulares significativos, se o passe social continua caro e se os horários, muitas vezes, limitam esses movimentos?”, questionou a deputada.

Actualmente, para um trabalhador que viva no Faial e trabalhe no Pico, por exemplo, e que receba o salário mínimo, o custo do passe social para o transporte de barco entre as duas ilhas representa 20% do seu salário. Este percurso entre o Pico e o Faial, que custa 127 euros, tem a mesma distância do que a travessia do Tejo entre o Cais do Sodré e o Seixal, que, no entanto, custa apenas 34,75 euros.

Lúcia Arruda criticou fortemente o actual passe social para desempregados, que permite um desconto de 25% apenas em dois meses por ano. “Nos restantes 10 meses do ano o desempregado não pode procurar emprego, nem pode ter vida social”, lamentou Lúcia Arruda.

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