Acordo de parceria entre a SATA e a TAP só depende da vontade política de Bolieiro e Montenegro

O Bloco reitera que acordo entre Governo Regional e Governo da República para estabelecer parceria entre SATA e TAP é a melhor solução para salvaguardar a mobilidade e as finanças da Região e que, para a concretizar, basta haver vontade política entre dois governos liderados pelo mesmo partido. Ontem, em entrevista à RTP Açores, o presidente do Conselho de Administração reconheceu “a bondade da proposta” e disse que até pode “concordar com ela”.

O presidente da SATA considera, no entanto, que neste momento a solução de um entendimento com a TAP não é possível, mas não explicou porquê. Para o Bloco, a solução só depende da vontade política dos governos liderados por José Manuel Bolieiro e por Luís Montenegro.

A entrevista ao Presidente do Conselho de Administração da SATA vem confirmar também aquilo que o Bloco já havia dito há muito tempo: o consórcio quer comprar a SATA com o dinheiro dos contribuintes, ou seja, quer que a Região pague para entregar a companhia aérea a uma gestão privada.

O facto de a proposta prever que seria a Região a suportar os custos de manutenção das aeronaves durante vários anos e que apenas os pilotos e os assistentes de bordo ficariam na empresa depois da privatização, ficando os restantes na SATA holding – cujo único acionista é a Região – tornam a proposta do consórcio ainda mais insultuosa.

Esta situação resulta da posição negocial insustentável em que o governo regional se colocou ao afirmar que a única alternativa à privatização é o encerramento da empresa. O Governo Regional de direita é responsável por esta situação insustentável, assim como todos os partidos com assento parlamentar que defenderam e continuam a defender a privatização, incluindo o PS.

O Bloco Esquerda já anunciou que levará à próxima sessão plenária do parlamento dos Açores, ainda este mês, uma proposta para a negociação de uma parceria estratégica com a TAP em alternativa à privatização e ao encerramento da SATA Internacional.

Já se perderam demasiados anos e centenas de milhões de euros a brincar às privatizações e é altura de tratar este assunto como ele merece: um assunto de Estado que diz respeito à mobilidade dos açorianos, à continuidade territorial e à coesão do próprio país.

O Governo da República tem de deixar de fingir que este assunto não lhe diz respeito. A saída da Ryanair dos Açores é um aviso claro, e mostra que só podemos confiar no que é de todos para a garantia da mobilidade. A SATA e a TAP são a garantia que os Açores não são abandonados à sua sorte, sem ligações aéreas decentes.

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