António Lima diz que foi o PS que abriu a porta à direita nos Açores e que o atual governo não tem projeto para a Região

António Lima afirmou hoje na convenção nacional do Bloco de Esquerda, que está a decorrer em Matosinhos, que o partido é, nos Açores, a oposição de esquerda a “um governo de cariz liberal na economia que não tem uma ideia de desenvolvimento para os Açores”, e aponta responsabilidades ao PS por ter aberto o espaço ao regresso da direita ao poder.

“Os 24 anos de governos regionais do PS significaram a manutenção do status quo. O projeto político do PS nos Açores tornou-se a manutenção do poder, cedendo para isso cada vez mais aos poderes instalados”, assinalou o coordenador do Bloco nos Açores, que considerou que “assim, o PS abriu espaço para o regresso da direita ao governo regional”.

Além disso, António Lima frisou que “o programa da direita pouco se distingue daquele do PS”. A grande diferença é que “a direita, PSD, CDS e PPM precisou de abraçar a extrema-direita para chegar ao poder”.

“Rui Rio e o PSD sonham com o mesmo cenário para o governo da república”, demonstrando que, de facto, a solução encontrada nos Açores está a ser um tubo de ensaio para a política nacional.

Mas estes primeiros seis meses de governo de direita apoiado pela extrema-direita já provaram que “nada de anti-sistema existe na extrema-direita, pelo contrário, vemos os mesmos tiques do centrão: o maior governo regional de sempre, nomeações em catadupa de boys para jobs bem pagos em conselhos de administração. A tudo isso a extrema-direita remete-se ao silêncio cúmplice, ao mesmo tempo que já assinou de cruz todos os orçamentos da região”, disse António Lima perante os delegados presentes na convenção nacional do Bloco.

André Ventura, “mês sim mês não, acena com chantagem da crise política para dar prova de vida, pois os seus subordinados nos Açores já há muito se fundiram com o sistema de onde, afinal, vieram”, acrescentou o líder do Bloco nos Açores.

António Lima deixou ainda críticas ao governo dos Açores por apostar tudo no crescimento anárquico do turismo, tendo apenas o lucro imediato como única preocupação, “mesmo que para o povo isso signifique precariedade, baixos salários exploração, e que para o ambiente signifique a sua destruição”.

António Lima lembrou ainda que nas últimas eleições regionais o Bloco foi o único partido à esquerda do PSD a crescer, e disse que o desafio é agora “a afirmação de uma alternativa de esquerda” quer “às políticas dos últimos 24 anos do PS nos Açores”, quer “às atuais do Governo da República”.

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