O coordenador regional do Bloco de Esquerda, António Lima, reuniu-se hoje com os trabalhadores da SATA Handling que se encontram em greve contra o processo de privatização da empresa, manifestando a solidariedade do partido para com a sua luta pela defesa dos postos de trabalho, dos direitos laborais e da mobilidade dos açorianos. A reunião decorreu no contexto de uma greve parcial de 14 dias, que tem registado níveis de adesão superiores a 90%, demonstrando a forte unidade dos trabalhadores em torno desta causa.
Para o Bloco de Esquerda, esta mobilização demonstra que os trabalhadores compreendem a importância estratégica da SATA Handling para o futuro do transporte aéreo na Região. Com mais de 640 trabalhadores, a empresa representa uma componente essencial do Grupo SATA e assegura os serviços de assistência em escala em todos os aeroportos dos Açores. Sem estes serviços, não só a SATA, mas qualquer companhia aérea que opere na Região ficaria impedida de funcionar normalmente.
António Lima destacou que a luta dos trabalhadores não se limita à defesa dos seus empregos. Trata-se também de uma defesa do interesse público e do futuro da mobilidade aérea nos Açores. A privatização da SATA Handling criaria uma situação de monopólio privado na prestação destes serviços, deixando a SATA dependente de uma entidade externa para uma função absolutamente indispensável à sua operação.
"O que está em causa não diz respeito apenas aos trabalhadores da SATA Handling, mas a todos os açorianos. Entregar esta empresa a um operador privado significa colocar uma atividade estratégica nas mãos de um monopólio privado, com riscos evidentes para os custos da operação, para as condições de trabalho e para a própria sustentabilidade da SATA", afirmou o dirigente bloquista.
O Bloco de Esquerda rejeita a ideia de que a privatização é inevitável ou irreversível. António Lima recordou que já houve adiamentos do plano de reestruturação e que o próprio Governo Regional admitiu estar a procurar novo prolongamento dos prazos estabelecidos. Acresce que a Comissão Europeia, em resposta a uma iniciativa da eurodeputada Catarina Martins, confirmou que Portugal pode solicitar uma revisão do plano de reestruturação, abrindo espaço para alternativas que mantenham a SATA Handling no setor público.
Para o Bloco, estes factos demonstram que existe margem política para travar o processo atualmente em curso. O que falta é vontade política por parte do Governo Regional para defender junto das instâncias europeias uma solução que preserve o controlo público desta atividade estratégica.
António Lima anunciou ainda que o Bloco de Esquerda voltará a apresentar, no âmbito do Orçamento da Região para 2027, uma proposta para que o Governo Regional renegocie com a Comissão Europeia o plano de reestruturação da SATA, de forma a impedir a venda de 100% da SATA Handling e garantir a sua permanência no Grupo SATA. Caso essa proposta seja rejeitada, o partido compromete-se a continuar a avançar com novas iniciativas legislativas sobre esta matéria.
"Esta greve é uma demonstração inequívoca de união e determinação. O Governo tem a obrigação de ouvir estes trabalhadores. Nada está fechado. Ainda é possível travar uma privatização que seria prejudicial para os trabalhadores, para a SATA e para os Açores. O Bloco continuará ao lado destes trabalhadores e continuará a apresentar propostas para garantir que a SATA Handling permanece uma empresa pública ao serviço da Região", concluiu António Lima.