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"Aumento de impostos vai ser catastrófico para os Açores"

 

1 – Ontem, foi anunciado, pelo governo da República, mais um autêntico confisco fiscal aos trabalhadores e reformados, com o aumento de 35% do IRS sobre os rendimentos de quem trabalha;

2 – Na prática, para 2013, o governo PSD/CDS rouba 2 salários aos reformados e aos trabalhadores da Função Pública e 1 salário aos trabalhadores do sector privado.

E este esbulho fiscal não pára, pois, através do IMI - Imposto Municipal sobre Imóveis - outro salário é roubado a quem tem casa. Ao mesmo tempo, são anunciados mais cortes para as prestações sociais.

3 – Para quem trabalha, vale tudo. Mas a renegociação das parcerias público/privado está em estudo e as medidas para taxar as transacções bolsistas está em estudo. Ou seja, pagam os mesmos do costume, pagam até não poderem mais; mas para os donos do dinheiro, nada.

4 – No ano de 2012, só em juros da dívida, Portugal paga mais de 8 mil milhões de euros e, no ano de 2013, pagará 7,5 mil milhões.

O governo PSD/CDS rouba aos trabalhadores e reformados para pagar os juros da dívida, lançando, assim, os portugueses na miséria, arrasando com a economia do país e lançando, no desemprego, muitos mais milhares de portugueses/as.

Está na hora, antes que seja tarde, de renegociar a dívida, prazos e juros. Dívida esta que, apesar de todos os sacrifícios do povo, continua a aumentar, sendo, hoje, 119% do PIB quando há um ano era 97%.

5 – Nos Açores, o impacto deste assalto vai ser catastrófico. O impacto, na nossa economia - que vive, essencialmente, do mercado interno -, com mais esta quebra no poder de compra de quem trabalha ou está reformado, significa mais desemprego e mais falências.

6 – Os representantes da troika, nos Açores - Vasco Cordeiro, Berta Cabral e Artur Lima -, porque estão em campanha eleitoral, apressam-se a fugir da colagem a este assalto.

Agora, para caçar votos, convém fazer esquecer que, ainda há um mês, todos os três estavam alinhados (com pequenas diferenças), com o caminho da troika. Agora, já não conhecem ninguém em Lisboa e ameaçam demitir-se dos altos cargos que detém, nos seus partidos nacionais; enfim, uma trafulhice que os/as Açorianos/as não perdoarão.

7 – Agora, todos defendem os/as trabalhadores/as e desdobram-se em promessas para caçar votos. Mas há um mês, no Parlamento dos Açores, quando o Bloco de Esquerda propôs alterações ao Código de Trabalho PSD/CDS, para salvaguardar os/as trabalhadores/as açorianos desta selvajaria, nas relações de trabalho, Vasco Cordeiro, Berta Cabral e Artur Lima juntaram-se, para chumbar a iniciativa do Bloco de Esquerda.

E, ainda há uma semana, na Assembleia da República, PSD e CDS chumbaram uma proposta do Bloco de Esquerda que visava garantir a negociação colectiva, para os/as trabalhadores/as da administração regional, nos Açores.

Não foi há um ano, foi há poucos dias atrás. Quando se trata de defender, na prática, quem trabalha, votam contra. Conversa fiada, muita.

8 – Para os trabalhadores e reformados açorianos, este brutal aumento de 35% no IRS, significa 45%, por via do acordo do PS, PSD e CDS com a troika, o qual obriga, em sede da Lei de Finanças Regionais, à diminuição do diferencial de impostos com o continente. Agora, estes partidos, por causa das eleições, fogem do que assinaram e defenderam, há tão pouco tempo.

9 – Agora, todos estes partidos, nos Açores, apressam-se a prometer compensações, aos/às trabalhadores/as açorianos/as, através do Orçamento Regional. Escondendo dos/as Açorianos/as que o Orçamento da Região depende, em mais de 30%, das transferências do Orçamento de Estado, por via do estipulado na Lei de Finanças Regionais.

Convenientemente, o Orçamento de Estado só será apresentado a 15 de Outubro, após as eleições dos Açores e, como todos sabem, a Lei de Finanças Regionais vai ser alterada, para diminuir transferências e aumentar impostos.

10 – Estão, pois, os representantes da troika, nos Açores, a mentir aos/às Açorianos, a fazer promessas que, objectivamente, sabem que não podem cumprir. E já têm a resposta, para quando o povo exigir a concretização destas promessas: ‘Lisboa cortou nas transferências, a culpa é de Lisboa, não é nossa’. Mas nada fazem para evitar tal situação.

11 – O Bloco de Esquerda endereçou uma carta a todos os partidos com assento parlamentar, nos Açores, propondo uma tomada de posição conjunta, na defesa da actual Lei de Finanças Regionais, para proteger os Açores e os/as Açorianos/as do mais que certo corte nas transferências.

A resposta foi nula.

Porque, mais importante do que os Açores, é conquistar votos, com promessas que sabem não poder cumprir.

Vasco Cordeiro segue em linha com José Sócrates, que prometeu mais 150.000 postos de trabalho e, num ano, conseguiu mais 350.000 desempregados. Berta Cabral segue em linha com Passos Coelho, que prometeu não cortar subsídios e os cortou todos. Artur Lima segue em linha com Paulo Portas, que prometeu baixar impostos e, no governo, fez o maior aumento de sempre.

12 – Está na hora dos/as Açorianos/as não embarcarem em mais mentiras e trafulhices.

O Bloco de Esquerda apresenta soluções claras e credíveis. A defesa da Autonomia faz-se com posições concretas, como temos assumido, colocando os Açores em primeiro lugar e não servindo-se dos Açores e do voto dos/as Açorianos/as para servir clientelas.

O voto certo, com soluções, é no Bloco de Esquerda.