Aumento de lista de espera cirúrgica é muito preocupante e mostra que o Governo fez opções erradas após o incêndio no HDES

Dois anos depois do incêndio que afetou o Hospital de Ponta Delgada (HDES), os principais indicadores relativos à atividade cirúrgica demonstram que as opções do governo e a sua paralisia política estão a prejudicar gravemente a saúde de milhares de açorianos.

O Bloco defendeu desde a primeira hora que era urgente realizar obras para colocar em funcionamento os blocos operatórios do edifício principal, porque esperar pelas obras definitivas iria provocar enormes atrasos nas cirurgias.

Hoje, dois anos depois, e com uma lista de espera que não para de aumentar – o que significa sofrimento e desespero que podia ter sido evitado – o Conselho de Administração do HDES finalmente reconhece que estas obras são necessárias e decidiu avançar.

Dados oficiais do Governo mostram que entre abril de 2024 e fevereiro de 2026 (dados disponíveis mais recentes) o número de utentes em Lista de Espera Cirúrgica aumentou de 6.410 para 8.937 (+39%), o tempo médio de espera em Lista de Espera Cirúrgica aumentou de 415 para 527 dias (+112 dias), o número de operados por mês baixou de 506 para 337 (-33%), o tempo médio de espera dos operados aumentou de 273 para 387 dias (+114 dias), e a cirurgias realizadas dentro do Tempo Máximo de Resposta Garantido baixou de 54,6% para 44,5%.

São números muito preocupantes que evidenciam os erros que foram cometidos pelo Governo Regional ao insistir no investimento de mais de 30 milhões de euros no Hospital Modular – que era para ser provisório e afinal é definitivo – em vez de apostar na rápida recuperação do edifício principal – como recomendavam relatórios técnicos do próprio hospital – deixando o projeto de remodelação profunda do HDES para um momento posterior, com a resposta à população estabilizada.

Hoje, numa entrevista à RTP Antena 1 Açores, o presidente do Conselho de Administração do HDES admitiu que ficaria muito satisfeito se as obras no edifício principal se iniciassem até ao fim de 2027, o que contrasta totalmente com a ideia que foi propagandeada pelo Governo Regional.

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