O deputado José Cascalho, do Bloco de Esquerda, acusou esta manhã o Governo Regional de ser responsável pelo fim do projecto do Ecomuseu da ilha de São Jorge denunciando que a descaracterização e o abandono do projecto tiveram por base o facto de este “não ser domável e, por isso, ser perigoso”.
“O medo e a sede de dominar do Governo Regional, com a conivência do Partido Socialista, mostrando uma profunda falta de cultura democrática bem como uma arrogância sem limites, perpetraram um claro acto de censura, de forma premeditada, ao substituir o projeto inicial do Ecomuseu por um outro, no qual a população se deixou de rever”, disse o deputado.
A prova disso mesmo está no programa do Partido Socialista de 2008, que refere o seguinte: “Na linha do Ecomuseu de São Jorge e do Centro de Interpretação Ambiental e Cultural da Ilha do Corvo, há que fomentar, em todas as ilhas, as parcerias entre turismo, ambiente e cultura. Os exemplos anteriores provocaram sinergias, e especialmente no primeiro caso com clara identificação dos cidadãos, que apenas podem pecar por não serem domáveis pela administração”.
De facto, o Ecomuseu, na sua concepção inicial, é definido como “um laboratório que permite o estudo do passado e do presente da população e do seu ambiente; um centro de conservação, ajudando a preservar e a desenvolver a herança cultural e natural da população; uma escola porque envolve a população no seu trabalho de estudo e proteção e a encoraja a ter uma participação esclarecida na construção do seu próprio futuro”, em que os protagonistas eram as pessoas, as freguesias e as inúmeras organizações que lutam pela defesa dos lugares e do património material e imaterial.
No entanto, a estratégia de controlo, por parte do Governo Regional, descaracterizou este projecto, que constituía um precioso instrumento de desenvolvimento da ilha de São Jorge: foram desmanteladas as redes que integravam o Ecomuseu, abandonadas as ligações que tinham sido estabelecidas com diversos investigadores que colaboravam pro bono na validação científica do projeto, foram canceladas as atividades já em andamento e que faziam parte de uma estratégia conhecida por todos os participantes, com metas claras e previamente planeadas, e finalmente, foram afastados os participantes que, até então, tinham estado empenhados na criação do Ecomuseu.
Por tudo isto, o Bloco de Esquerda apresentou esta manhã na Assembleia Legislativa dos Açores um voto de protesto pela forma como o processo foi conduzido pelo Governo Regional. O voto foi, no entanto, chumbado pelos deputados do PS e do PSD, recebendo os votos favoráveis dos restantes partidos.
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