BE acusa PS e coligação PSD/CDS de terem agenda escondida para implementar incineração

 

Os candidatos do BE à Câmara e Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo depositaram, ontem, lixo no centro da Praça Velha para assinalar, de forma simbólica, o esforço que todos os açorianos terão de efetuar para produzir lixo para alimentar as futuras incineradoras.

Paulo Mendes condenou a política de facto consumado, no que diz respeito à opção pela instalação de uma incineradora na ilha Terceira que receberá resíduos de todas as ilhas do grupo central e ocidental, o que trará consequências negativas, não só em termos ambientais, mas também em termos logísticos, pois se os transportes marítimos de mercadorias, por vezes, não fluem da melhor forma, devido, por exemplo, a condições atmosféricas. “O que acontecerá quando o lixo tiver de acumular-se, nos vários portos das ilhas do grupo central e ocidental, a aguardar transporte para a ilha Terceira?”, questiona o candidato.

Álamo Meneses, António Ventura e Artur Lima não querem, sequer, ouvir falar na possibilidade de se efetuar um referendo local sobre a instalação de uma incineradora e tudo parece estar consensualizado. Isto, apesar de em 2010, na Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo, vereadores e deputados municipais do PS, PSD e CDS terem debatido várias alternativas para a gestão de resíduos e terem levantado dúvidas sobre a viabilidade da instalação de uma incineradora.

A necessidade de tratar carcaças de animais é a última justificação para a instalação de uma incineradora com uma capacidade máxima de processamento de resíduos, na ordem das 66.000 toneladas por ano, esquecendo que os matadouros da Região têm mini-incineradoras e que até seria possível criar centrais específicas de vermicompostagem para carcaças de animais. Além disso, são resíduos orgânicos, que são ineficazes para alimentar uma incineradora com o intuito de produzir energia.

A instalação de centrais de vermicompostagem em todas as ilhas seria mais barato e criaria mais emprego, não só na Terceira, mas também nas outras ilhas e dispensaria o transporte de resíduos para a ilha Terceira.

Paulo Mendes lembrou ainda que, se o intuito é produzir energia, a instalação de centrais de tratamento biológico e mecânico poderão ser outra solução, pois possibilitam a produção de biogás.

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