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BE alerta para perigos da incineração e defende fim do projecto previsto para os Açores

 

O Bloco de Esquerda desafia o Governo Regional e a Associação de Municípios de São Miguel a recuarem no projecto de construção de centrais incineradoras nos Açores, alertando para as graves consequências para a Saúde, a Economia e o Ambiente.

"Por mais que a tecnologia tenha avançado, não há incineração limpa", avisa Lúcia Arruda, coordenadora do BE em São Miguel, chamando a atenção para o que aconteceu em França, e que pode vir a acontecer nos Açores: “Em Gilly-sur-isére, uma central incineradora foi desmantelada, em 2008, devido aos elevados níveis de dióxido de carbono registados na zona – que ultrapassavam 700 vezes os níveis máximos. Por este motivo, foram abatidos sete mil animais, principalmente vacas, e foram deitadas ao lixo vinte três toneladas produtos leiteiros”.

“Os Açores não podem correr este risco”, disse a dirigente do BE.

Este enorme investimento na incineração vai deitar abaixo a política de redução, reutilização e reciclagem, e vai impedir que se cumpram as metas estabelecidas pela União Europeia, não só pelo desinvestimento que será feito na sensibilização das populações, mas também porque uma central incineradora precisa de ser constantemente e abundantemente alimentada com todo o tipo de lixo.

Para assinalar o Dia Mundial do Ambiente, o Bloco de Esquerda esteve esta tarde em Ponta Delgada a distribuir sacos de reciclagem e a sensibilizar a população para os perigos da incineração. “Falamos com as pessoas e vemos que ninguém compreende porque é que se vai optar por queimar lixo em pleno século XXI”, diz Lúcia Arruda, apontando as alternativas viáveis e que estão a ser seguidas em toda a Europa: a aposta na reciclagem e nas centrais de compostagem.

Bastava, aliás, cumprir o que está previsto no Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores: todas as ilhas devem ter centros de triagem e centros de valorização orgânica através da compostagem, para produção de biogás ou composto para agricultura. Esta opção seria melhor não só para o Ambiente, como também iria permitir a criação de mais postos de trabalho.

É importante travar a Incineração, salienta a dirigente do Bloco, porque “quando as nossa ilhas se tornarem cinzentas, não se pode voltar a ‘pintar’ de verde”.