“Caso o Governo Regional não altere a sua posição, aceitando tomar medidas corajosas, anti-recessivas e anti-cíclicas, o Bloco de Esquerda não irá apoiar a proposta de Plano e Orçamento que será discutida na próxima semana no parlamento”. O anúncio foi feito pela deputada Zuraida Soares, à saída de uma reunião com a direcção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, em que foram debatidas algumas propostas do partido cuja finalidade é a criação e manutenção de postos de trabalho.
Em declarações aos jornalistas, a deputada do BE manifestou grande preocupação com cenário económico e social negro que se vive na Região, salientanto os níveis de desemprego e a brutal perda de compra dos açorianos como os principais problemas a combater.
Zuraida Soares disse não aceitar “que o Governo Regional se congratule com o facto de taxa de desemprego dos Açores ser umas décimas mais baixa que no continente”, considerano que que esta atitude “é uma afronta a cada desempregado e desempregada, e fica muito perto do discurso de Passos Coelho, que a cada aumento do desemprego, apenas diz que estava tudo previsto”.
Para combater o desemprego nos Açores, a Região do País onde o crescimento tem sido mais rápido, o Bloco de Esquerda propõe a implementação de um corajoso Plano de Emergência para a Reabiltação Urbana Pública e Privada, com valores e regras diferentes das que o Governo defende, contribuindo para a manutenção de muitos postos de trabalho, de forma directa, na construção civil e salvando empresas da falência.
“Sem o aumento dos rendimentos das pessoas, as empresas não podem sobreviver. São cada vez mais os economistas e poíticos, incluindo mesmo o Presidente da República, que defendem que é necessário aumentar o poder de compra das pessoas”, disse Zuraida Soares, salientando que “quem tem mais dinheiro no bolso, pode comprar mais no comércio tradicional, na restauração, faz mais uma viagem entre as ilhas dos Açores, faz mais uma revisão ao carro nas oficinas. Só assim se dinamiza a economia”.
Assim, o BE defende também o pagamento do subsídio férias nos Açores, o aumento do salário mínimo em dez euros, e o aumento do complemento de pensão em 15 euros, para quem recebe menos que o salário mínimo.