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BE considera troca de trabalho por rendas manobra demagócia e defende mais apoio social

 

A Comissão de Ilha do Bloco de Esquerda na Terceira acusa a autarquia de Angra do Heroísmo de querer inaugurar uma espécie de trabalho à jorna, “uma manobra demagógica que até a direita mais populista hesitaria em propor”, ao defender a troca de rendas sociais em atraso por trabalho. Intenção que, aliás, só prova que afinal é possível criar emprego. “A solução passa pela criação de emprego real para as pessoas que estão nesta situação, e pela criação de um Fundo de Emergência Social”, defendeu Paulo Mendes.

“Em vez de reforçar a ligação entre pobreza, preguiça e calotismo e de considerar que as políticas sociais se limitam ao arrendamento de habitação camarária e à respetiva cobrança de rendas, o executivo autárquico deveria investir em verdadeiro trabalho social, com o intuito de promover a empregabilidade, a ocupação dos tempos livres das crianças e jovens em atividades de formação, a criação e manutenção da vida comunitária e a participação cívica”, acrescentou o dirigente do BE, numa conferência de imprensa realizada esta tarde.

O BE/Terceira, pela voz de Paulo Mendes, desafiou mesmo a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo a criar um 'Fundo de Emergência Social' que tenha, por base, o devido diagnóstico das condições sócio-ecónomicas dos seus munícipes, com o intuito de socorrer as famílias com dificuldades de subsistência. Um fundo que assegure a comparticipação total ou parcial das contas de eletricidade, gás e água, assim como da alimentação e despesas com cuidados de saúde.

O BE defende ainda que, no âmbito da habitação social, a autarquia deve encetar esforços para estabelecer um trabalho integrado numa rede de parcerias que envolva os serviços da Região e das Instituições Particulares de Solidariedade Social que desenvolvam trabalho social local, para a formação de mediadores comunitários, com vista à resolução de dificuldades de inserção sócio-profissional dos arrendatários. “Porque a mudança faz-se 'por dentro' e passa pela inclusão dos membros da comunidade no próprio processo”, alerta Paulo Mendes.

O dirigente do BE lamenta que a autarquia desconsidere constantemente o sector da acção social e considera mesmo que o actual executivo, apesar de ser liderado pelo PS, pode ser tudo, menos socialista, e está refém de políticas de direita populista, ao colocar pobres contra miseráveis.