Perante os problemas que a central incineradora da ilha Terceira está já a apresentar, pouco tempo depois de entrar em funcionamento, o Bloco de Esquerda considera que é necessário atribuir responsabilidades políticas pelas consequências desta opção, e que é urgente impedir que a construção da central incineradora em São Miguel avance.
Em declarações aos jornalistas, o coordenador do BE/Açores, Paulo Mendes, considerou que opção pela incineração de resíduos nos Açores é um projeto falhado, porque a sua concretização vai implicar o incumprimento das metas de reciclagem que os Açores estão obrigados a atingir até 2020 – 50% dos resíduos recicláveis.
De acordo com uma estimativa que consta do Plano Estratégico de Gestão de Resíduos dos Açores, o grupo central e ocidental dos Açores produzem 66 mil toneladas de lixo, dos quais 14% são papel e cartão, 12% plástico, 10% vidro – todos recicláveis – , e 36% são bio-resíduos, ou seja, ricos em água e bons para compostagem. O que significa que 72% dos resíduos produzidos nestas sete ilhas podem ser tratados de outra forma que não a incineração.
“Tal como alertámos, a incineradora só não será um elefante branco se se fizer batota e passar a queimar resíduos recicláveis. E neste caso, o apetite será muito direcionado para o plástico, com o evidente prejuízo para o cumprimento da meta da reciclagem até 2020”, disse o coordenador do BE.
Paulo Mendes lembra que o Bloco esteve sempre contra a construção destas duas mega incineradoras, uma opção que considera “incongruente e irrealista”, e salienta que foram sempre apresentadas alternativas mais económicas, mais amigas do ambiente e que criariam mais postos de trabalho, como o tratamento mecânico e biológico e a vermicompostagem.
“Quem é que vai pagar os milhares de litros de combustível que está a ser queimado pela incineradora da Terceira?”, perguntou, indignado, Paulo Mendes.