BE critica redução de impostos aos mais ricos quando a Região atravessa uma crise económica e social

O primeiro Orçamento da Região apresentado pelo Governo do PSD, CDS e PPM vai baixar os impostos aos mais ricos e às empresas que tiveram lucros, e mantém, no essencial, as políticas económicas do PS que colocaram um terço da população dos Açores em risco de pobreza e geraram a distribuição de riqueza mais desigual do país. O Bloco de Esquerda está contra estas opções.

Numa altura de grave crise económica e social, o governo argumenta “que não há capacidade financeira” para ir mais longe no aumento dos apoios sociais, mas, ao mesmo tempo, reduz os impostos para aqueles que mais têm.

Além de manter as políticas económicas que favorecem a mesma elite que o PS alimentava quando estava no poder, o PSD adotou também a relação que o PS tinha com os partidos da oposição, rejeitando as propostas sem olhar para o conteúdo, mas apenas devido ao partido que as propõe.

Mas, mais do que isso, o PSD “consegue hoje estar contra propostas do Bloco de Esquerda que são, na íntegra, propostas do PSD apresentou em 2019 e tinham sido chumbadas pela anterior maioria”, lamentou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda.

“Dizer uma coisa na oposição e outra no governo corrói a credibilidade da política e descredibiliza a participação cívica, o voto e a própria democracia”, considerou António Lima.

Sobre o modelo de desenvolvimento económico para os Açores, o Bloco de Esquerda vai continuar o combate para que os Açores tenham capacidade e os instrumentos necessários para se tornarem uma potência no estudo da biodiversidade, da sua preservação e do desenvolvimento sustentável do seu potencial tecnológico, principalmente no mar, porque “a defesa dos sectores tradicionais e do turismo tem que ser acompanhada pela introdução de novos sectores que inovem, que tragam maior valor ao que é produzido”.

Sobre a Saúde e a Educação, o deputado do BE lamentou a falta de investimento.

No Ambiente, este Governo permite que o projeto da incineradora de São Miguel avance, e vai continuar a adiar a aprovação do plano de ordenamento do turismo para poder continuar “a promover a construção de autênticos atentados ambientais e contra a paisagem, como são os mamarrachos que se projetam para a costa norte da ilha de São Miguel”.

No que diz respeito ao trabalho, o Bloco de Esquerda pretende que a integração na administração pública dos trabalhadores ao abrigo de programas ocupacionais fosse feita com transparência, através de comissões paritárias constituídas por trabalhadores e dirigentes, mas este Governo optou – tal como fazia o anterior – por manter a total discricionariedade sobre quem integrar.

O Orçamento que está em análise contém também um corte de verbas em áreas tão cruciais como a ciência e a cultura.

“Neste orçamento só vemos caminho para o passado. Um passado do qual o Bloco de Esquerda luta para tirar os Açores”, concluiu o deputado António Lima.

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