A criação de emprego e formação para os jovens, a criação de incentivos orientados para o cultivo de produtos locais de reconhecido valor, e a rentabilização das condições naturais – apoiadas pelo galardão de Reserva da Biosfera pela Unesco – são as três principais linhas do modelo económico que o Bloco de Esquerda propõe para o desenvolvimento da ilha Graciosa.
Numa conferência de impresa realizada esta manhã na ilha Graciosa, a líder do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda na Assembleia Legislativa dos Açores, Zuraida Soares, apontou o desemprego jovem como um dos principais problemas que impedem o desenvolvimento da Graciosa, tendo o deputado José Cascalho avançado uma proposta para ajudar a combater este problema: “a diversificação de cursos profissionais de excelência nas várias ilhas do arquipélago, integrados nas estruturas de escolas já existentes que, pela sua qualidade, consigam trazer alunos de outras ilhas”.
Para a dinamização da economia e criação de emprego, nesta que é uma das ilhas mais pequenas dos Açores, os deputados do Bloco de Esquerda defendem a criação de incentivos orientados especificamente para o cultivo de produtos locais – no caso da Graciosa, o alho, a meloa, e mesmo a fruta em geral. Este apoio seria materializado através da disponibilização de apoios técnicos, no terreno, que sejam verdadeiramente consequentes, e garantindo o escoamento de produtos para o mercado local e inter-ilhas através do estabelecimento de um plano com metas de produção concretas. “Por exemplo, estabelecer que, dentro de determinado tempo, 15% da fruta consumida nos Açores, deve ser produzida localmente”, disse José Cascalho.
“A rentabilização das magníficas condições naturais da Graciosa, que lhe valeu o galardão da Unesco de Reserva Natural da Biosfera, não se compadecem com o injustificável atraso na entrada em funcionamento do Centro de Processamento de Resíduos, e muito menos com a incerteza relativamente ao futuro das duas lixeiras a céu aberto existentes nesta ilha”, denunciou a deputada Zuraida Soares.
“Neste momento existem duas lixeiras a céu aberto, e não existe nenhum aterro sanitário – apesar de estar previsto e prometido no Plano Estratégico para Gestão de Resíduos para os Açores –, acontece que o lixo será transportado de barco para a Terceira, quando for construída a incineradora – contra a qual o BE vai lutar”, acrescentou o deputado.
A líder da bancada do BE salientou ainda o trabalho desenvolvido pela associação de protecção de animais da Graciosa, e considerou que a autarquia de Santa Cruz deveria ter um canil digno. “O que nós ontem vimos foi o que se pode chamar um barracão de extremínio de animais”, lamentou Zuraida Soares.