1 – Amanhã, quinta-feira, serão encerradas, por decisão empresarial, as salas de cinema existentes em Ponta Delgada. De acordo com notícias vindas a público, este encerramento resulta da impossibilidade admitida pela Socorama Castello-Lopes em chegar a acordo com a Sonae Sierra, cujas condições para dar continuidade à exploração dos cinemas seriam incomportáveis, dada a quebra no sector. Esta decisão inesperada coloca a cultura, na Região, de luto.
2 – A gigantesca crise social, em que o País e a Região estão mergulhados, afastam as pessoas do usufruto e do consumo de bens culturais, sendo esta a razão de natureza económica avançada pela Castello-Lopes para encerrar os cinemas, em Ponta Delgada, bem como em mais sete complexos de cinema localizados em centros comerciais do grupo Sonae Sierra, espalhados pelo país. Para além desta decisão ter o efeito imediato de lançar no desemprego cerca de 75 trabalhadores/as, no caso concreto de Ponta Delgada (e dos Açores, em geral), esta decisão não tem, no momento, qualquer tipo de alternativa.
3 – Também por isso, esta situação – lamentável a todos os títulos – é absolutamente inconcebível, provocando em todos/as nós (independentemente de sermos ou não amantes da sétima arte) um sentimento de ultraperiferia e de abandono real, consubstanciado em mais esta perda.
4 – A cultura, nas suas diferentes manifestações, não é um mero berloque para exibição. É, isso sim, um factor decisivo para o progresso e o desenvolvimento da sociedade, pelo que os poderes públicos – Governo Regional e Câmara Municipal – não podem, face a este problema, limitar-se a assumir um lamento, como única forma de reacção.
5 – O Centro Comercial que albergava as salas de cinema agora encerradas, em Ponta Delgada, foi erigido com o apoio de milhões de euros das entidades públicas, isto é, com dinheiro de todos/as nós. Está, portanto, na hora desse investimento realizado pelos Açorianos/as, ser colocado ao seu serviço e não depender, apenas e exclusivamente, dos bons dias de negócio para os grupos económicos que dele se servem e com ele aumentam, substancialmente, as suas margens de lucro.