O Bloco de Esquerda defendeu esta manhã a elaboração de um Orçamento de Base Zero para o sector da Saúde nos Açores, a partir de 2014, que permita identificar as necessidades reais e, a partir delas, equacionar os meios humanos e físicos indispensáveis, bem como a sua adequada orçamentação.
No âmbito da Interpelação ao Governo Regional sobre a sustentabilidade do sector, iniciativa da representação parlamentar do BE, Zuraida Soares defendeu que o Orçamento de Base Zero “seria um poderoso instrumento para acabar com a constante sub-orçamentação da Saúde, muito responsável pela dívida com que hoje nos confrontamos”, que foi “contruída por sucessivas e teimosas más práticas, da responsabilidade do Partido Socialista, o qual, para a esconder, deitou mão a instrumentos de endividamento engenhosos” como os Hospitais-Empresa e a Saudaçor, que “mais não são do que, por um lado, puzzles de uma engenharia financeira e, por outro, garantias de clientelismo político”.
A deputada do BE considera que o Orçamento de Base Zero seria, também, um útil instrumento para combater os interesses instalados, as derrapagens orçamentais, e os contratos não cumpridos mas pagos, à cabeça, a preço de ouro.
No debate, Zuraida Soares salientou outras propostas do Bloco de Esquerda – que foram já formalmente entregues ao Governo – para resolver os problemas do sector da Saúde: o cabal financiamento anual do Serviço Regional de Saúde, a prioridade absoluta aos serviços primários de saúde, o encerramento da Saudaçor, o fim das Parcerias Publico-Privadas, e o início de um processo de separação completa entre o sector público e o sector privado.
Outra medida defendida pelo Bloco de Esquerda no sentido de eliminar os desperdícios neste sector é o fim da gestão empresarial dos hospitais dos Açores, assim como a criação de uma única administração para os três hospitais. “Não se compreende que, nos Açores, para uma população de 247 mil habitantes, existam 14 administradores, quando, por exemplo, em Lisboa, para uma população de 1,5 milhões de habitantes, existem apenas 5 administradores”, disse a deputada do Bloco.
O Bloco de Esquerda reiterou que não aceita, de forma alguma, a privatização de empresas estratégicas da Região como forma de amortizar a dívida do sector da Saúde, porque, a longo prazo, os prejuízos seriam muito maiores.