A candidata do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu nos Açores defende a criação de mecanismos de compensação ao fim das quotas leiteiras para os produtores dos Açores. Lúcia Arruda entende que, no âmbito do novo quadro comunitário de apoio, o transporte marítimo e aéreo para escoamento de produtos deve receber mais apoios, e que o novo POSEI deve ser reforçado, no sentido de permitir acrescentar valor aos produtos açorianos, nomeadamente através do alargamento das classificações de Denominação de Origem Protegida e Indicação Geográfica Protegida.
Lúcia Arruda mostrou profunda preocupação pelo impacto económico e social que o fim das quotas do leite terá nos Açores, e lamentou que a Comissão Europeia não tenha dado seguimento ao relatório do Parlamento Europeu que recomendava a implementação atempada de medidas de preparação para os produtores que serão mais afectados. “Até hoje nada foi feito”, disse a candidata após uma reunião realizada hoje com a direcção da Federão Agrícola dos Açores.
“É preocupante ver candidatos às Europeias a dizer que o novo Tratado de Comércio entre União Europeia e Estados Unidos da América é óptimo para os Açores” disse Lúcia Arruda, lembrando que, apesar de ainda não ser conhecido o conteúdo do tratado, estes acordos são sempre feitos para beneficiar as grandes corporações.
O acordo NAFTA é um bom exemplo do que poderá acontecer: os estudos revelam que este acordo entre EUA, Canadá e México provocou um exponencial aumento de falências de pequenas e médias empresas, e que o aumento do emprego foi nove vezes inferior ao anunciado inicialmente.
“É verdade que estes acordos aumentam o valor total das transacções, mas o aumento de riqueza nunca vai os pequenos produtores. Vivemos numa região pequena, ultraperiférica, e por isso temos que ter muito cuidado com estas matérias, e acautelar as nossas especificidades”, concluiu.