A Representação Parlamentar do Bloco de Esquerda não aceita que a Região continue a financiar a tauromaquia com dinheiros públicos ao mesmo tempo que implementam políticas restritivas na Educação, Saúde, Solidariedade Social, Cultura, Transportes e Habitação. Esta foi a posição manifestada pela deputada Zuraida Soares no plenário do passado mês de Fevereiro, no âmbito do debate sobre uma petição pelo fim dos apoios públicos para a tauromaquia nos Açores.“Não é aceitável, nem compreensível a insistência no apoio financeiro da Região à tauromaquia, enquanto atividade de interesse turístico e muito menos se percebe o apoio à tauromaquia como atividade cultural e não como um negócio privado que só não é ruinoso porque vive 'à sombra' de um alegado interesse público”, disse a deputada do BE.
Zuraida Soares não quer que o Governo Regional imite as prioridade da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que, desde 2011, financiou a Tertúlia Tauromáquica Terceirense em mais de meio milhão de euros, ao mesmo tempo que deixa o Teatro Angrense degradar-se ao ponto de não ter condições para receber a maior demonstração de teatro popular de Portugal – as danças e bailinhos de Carnaval da Terceira –, tendo mesmo retirado os parcos subsídios que atribuía a estes grupos.
Basta comparar os valores orçamentados pela autarquia de Angra, em 2012, para a Tertúlia Tauromáquica Terceirense – €250.000 – e para a Acção Social – (€165.510) – para perceber que as prioridades estão erradas.
“Infelizmente, para o Governo Regional, os interesses da tauromaquia são sagrados e, além de principescamente apoiados, financeiramente, são também excepcionados do cumprimento da lei”, disse Zuraida Soares, referindo-se ao apoio financeiro de €75.000 atribuído à organização do II Fórum da alegada cultura taurina, que incluiu no seu programa, a realização de uma prática ilegal: a sorte de varas.