O coordenador do Bloco de Esquerda Açores, Paulo Mendes, mostrou-se hoje profundamente preocupado com as consequências que a liberalização das rotas aéreas entre os Açores e o continente poderá trazer para a Região, com eventuais despedimentos na SATA, e em particular para a Terceira, cuja ligação com o continente não registou o interesse de qualquer companhia.
Ao contrário do que afirma uma das companhias low-cost que vai voar para São Miguel, nada garante que sejam criados 350 postos de trabalho nos Açores, até porque esta companhia vai utilizar apenas um avião para esta nova rota. Paulo Mendes lembra que a mesma companhia prometeu criar 1000 postos de trabalho quando abriu a sua base em Lisboa: “Mas onde é que eles estão? Niguém sabe”.
Por outro lado, é preciso salientar que a criação de novos postos de trabalho pode corresponder à destruição e à precarização de outros postos de trabalho. “Ninguém fala nos postos de trabalho que podem desaparecer”, alerta Paulo Mendes, chamando a atenção para os perigos que este novo modelo de transporte aéreo representa para a SATA e para os seus trabalhadores.
“Quando se liberaliza o mercado dos transportes aéreos como forma de dar resposta a um serviço público, aprofundam-se as desigualdades”, lamentou o coordenador do BE, salientando que a ilha Terceira corre o risco de ficar sem ligações aéreas com o continente, uma vez que nenhuma companhia manifestou interesse em realizar esta rota.
Uma hipótese, aliás, que o BE colocou recentemente, numa pergunta enviada ao Governo Regional através da Representação Parlamentar do Bloco, e que o secretário regional do Turismo e Tranportes garantiu ser uma ‘hipótese meramente académica’. Afinal, o BE tinha razão. Segundo a resposta dada, então, pelo secretário regional, resta agora realizar um novo concurso para voltar a estabelecer obrigações de serviço público para rota entre a Terceira e o continente.
“Gostariamos de saber porque é que o Governo da República, depois de ter reduzido o financiamento à RTP/Açores, às autarquias, assim como as próprias transferências do Orçamento de Estado para a Região, pretende agora financiar - em muitos milhões – o transporte aéreo de passageiros? É no mínimo estranho”, disse Paulo Mendes aos jornalistas.
O coodenador do BE nos Açores criticou ainda o facto de não haver um limite máximo para o preço dos bilhetes, antes do reembolso. Ou seja, em qualquer altura do ano, por interesse meramente comercial das companhias, poderão ser praticados preços exorbitantes.