BE provoca debate sobre fim das quotas leiteiras na União Europeia

O Bloco de Esquerda não se conforma com o fim das quotas leiteiras e já entregou no Parlamento Europeu, a semana passada, um documento com perguntas dirigidas ao Comissário Europeu da Agricultura, Phil Hogan, que serão respondidas oralmente em plenário – em Abril ou Maio – gerando debate sobre este assunto tão importante para os Açores.

Assim, a eurodeputada do BE, Marisa Matias, – em conjunto com outros deputados do Grupo Parlamentar da Esquerda Unida – quer saber se a Comissão Europeia está disponível para recentrar a política do leite na resposta ao mercado europeu, com medidas de regulação do mercado que ajustem a oferta à procura, ou se, por outro lado, irá deixar o sector totalmente vulnerável, dependente do exterior, e sujeito a enormes variações de preço?

Isto, porque o modelo que entra agora em vigor vai, por exemplo, fazer com que sejam necessários apenas 15 mil produtores, com mil vacas cada, para produzir um volume de leite igual ao que estava a ser produzido no regime de quotas, o que irá provocar muito desemprego – especialmente nos países do sul e com explorações mais pequenas.

“Está a comissão disponível para realizar uma discussão profunda que leve à implementação de medidas estruturantes para a prevenção da crise do sector do leite na europa?” é outra das perguntas a que o comissário da Agricultura terá que responder em plenário do Parlamento Europeu.

Recorde-se que a própria Comissão Europeia – no relatório de 2014 sobre o mercado do leite – assume dúvidas sobre a capacidade de – com as regulamentações actuais – dar resposta à extrema volatilidade do mercado após o fim do sistema de quotas.

É preciso não esquecer também que o aumento de produção dos Estados Unidos da América, da Austrália e da Nova Zelândia, assim como a diminuição das exportações para a China e Rússia vêm complicar ainda mais as possibilidades de escoar a produção da União Europeia.

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