Deixar nas mãos da Comissão Europeia a realização de estudos de impacto para as Regiões Ultra Periféricas, no âmbito de futuros acordos da União Europeia, multilaterais e bilaterais, é como ‘pedir ao lobo que guarde o galinheiro’, e é isso que um projeto de resolução do PDS aprovado ontem na Assembleia da República pretende fazer.
O Bloco de Esquerda votou contra e reafirma que é necessário caminhar no sentido exatamente inverso, ou seja, é preciso é aprofundar a Autonomia dos Açores para garantir que a Região tem poder vinculativo nas decisões que a impliquem diretamente, no âmbito de acordos internacionais.
A Comissão Europeia está dominada pela lógica dos mercados, e está ao serviço do capital financeiro e das grandes coorporações multinacionais, que são os maiores interessados na desregulação do comércio mundial. Como é possivel que seja a União Europeia a fazer estudos imparciais sobre os impactos destes acordos internacionais nas RUP, como o TTIP, por exemplo? É óbvio que as conclusões serão sempre favoráveis aos interesses do grande capital.
Basta, aliás, recordar as conclusões dos estudos efetuados antes do acordo de comércio entre Estados Unidos da América, Canadá e México: todos apontavam resultados maravilhosos, como o aumento do emprego, que iria ultrapassar os 10 milhões de novos postos de trabalho. A verdade é que as conclusões destes estudos – realizados pelos próprios interessados na concretização do acordo – não podiam estar mais errados, porque, afinal, o que aconteceu foi que 1 milhão de pessoas perdeu o emprego e os direitos dos trabalhadores também foram atacados. Já a transações comerciais aumentaram mais de 35 mil milhões de dólares. Por aqui se vê quem beneficiou com este acordo.