O Bloco de Esquerda alerta para a degradação da rede de carregamento de carros elétricos e salienta que a responsabilidade da manutenção e substituição dos pontos de carregamento é da Região. Em requerimento entregue hoje no parlamento, o Bloco pede ao governo que faça um ponto de situação geral do estado atual da rede de carregamento de carros elétricos e que apresente um calendário para entrada em funcionamento dos postos que estão em falta.
O Bloco de Esquerda considera preocupante a persistência de falhas no funcionamento de diversos pontos de carregamento rápido de veículos elétricos nos Açores, falhas essas que se prolongam há meses e que continuam a constar nas aplicações móveis como operacionais, induzindo em erro os utilizadores.
Segundo informação da própria Direção Regional da Energia, circulam atualmente nos Açores cerca de 6 mil viaturas elétricas, número que exige uma infraestrutura de carregamento fiável, acessível e tecnicamente robusta.
Paralelamente, o Governo Regional indica que existem 99 postos de carregamento de acesso público ligados à rede, número que, apesar de significativo, não se traduz numa cobertura funcional adequada, dado o elevado número de equipamentos inoperacionais ou com avarias prolongadas.
Acresce que continuam por instalar os postos de carregamento adquiridos no âmbito do projeto europeu LIFE IP CLIMAZ. Recorde-se que dos 40 equipamentos adquiridos, 27 se encontram por instalar.
Segundo o Governo Regional, estes equipamentos foram objeto de contratos de comodato celebrados com os municípios que manifestaram interesse, cabendo a estas autarquias a instalação das infraestruturas de carregamento nos locais de acesso público previamente definidos. Contudo, é essencial conhecer o calendário de execução previsto em cada contrato de comodato, bem como os mecanismos de acompanhamento e fiscalização da sua implementação.
No caso de Ponta Delgada, foi protocolada em 2023 a instalação de 11 postos de carregamento no concelho, mas a execução continua por concretizar. Desconhece‑se a situação nos restantes municípios.
Importa ainda referir que cerca de 90% dos equipamentos atualmente em funcionamento resultam de intervenção direta do Governo dos Açores, o que reforça a necessidade de garantir a sua manutenção, atualização e operação contínua. A existência de postos de carregamento sem funcionar há meses, alguns com estruturas visivelmente deterioradas, demonstra falhas graves de supervisão, planeamento e fiscalização contratual.
Face a estes elementos, torna‑se indispensável que o Governo Regional esclareça de forma completa, transparente e fundamentada o estado da rede pública de carregamento, os mecanismos de manutenção contratual, os prazos de instalação dos equipamentos financiados por fundos europeus e as medidas imediatas para garantir o funcionamento integral da infraestrutura, essencial para a mobilidade elétrica na Região.