O Bloco de Esquerda saudou no parlamento dos Açores o recente reconhecimento oficial do Estado da Palestina por Espanha, Irlanda, Noruega e Eslovénia, e defendeu que o governo português deve tomar a mesma posição, como forma de fazer cumprir as resoluções da ONU que preveem a criação de dois estados e contribuir para acabar com o conflito que dura há décadas na Faixa de Gaza.
O voto apresentado hoje pelo Bloco no parlamento dos Açores, que saudava o reconhecimento oficial do Estado da Palestina por estes quatro países europeus, foi rejeitado por PSD, CDS, IL e CH.
O Bloco de Esquerda condena os ataques a populações civis palestinianas e israelitas e a política de punição coletiva contra a população de Gaza e considera que o reconhecimento do Estado da Palestina é um passo fundamental para contribuir para a paz.
“É imperioso que termine no imediato toda a violência, que haja um cessar-fogo imediato, que seja travada a vingança e a punição coletiva da população da Faixa de Gaza, sendo esta a única forma de evitar um massacre que já conta com proporções trágicas”, afirmou o deputado António Lima.
Há mais de 75 anos que a Assembleia Geral da ONU aprovou um plano de partilha prevendo a criação de dois Estados no território histórico da Palestina. O Estado de Israel existe desde 1948. A criação do Estado da Palestina está por cumprir, vivendo os palestinianos exilados dentro da sua própria pátria, expropriados de terra, de casa e de direitos, refugiados na Faixa de Gaza.
A guerra que hoje se vive na Faixa de Gaza, é o maior conflito que já alguma vez houve neste território ao longo destes mais de 75 anos, que conta com milhares e milhares de mortes, e que representa um autêntico genocídio do povo da palestina.
“É fundamental que o governo português também assuma uma posição clara de rejeição da escalada de guerra, que defenda o cumprimento das resoluções da ONU que há décadas preveem a criação de dois estados, no respeito pelos direitos basilares do povo palestiniano e reconheça o Estado da Palestina”, refere o voto apresentado pelo Bloco.
No debate, António Lima afirmou que já são muitos pouco os países da ONU que não reconhecem o estado da Palestina, assinalando que, “infelizmente, Portugal faz parte desta minoria”
“É preciso fazer cumprir o Direito Internacional”, apelou António Lima, que lembrou que a posição plasmada no voto é a mesma que é defendida por António Guterres, secretário-geral da ONU, e até por figuras do próprio PSD, como Jorge Moreira da Silva, por exemplo.
Perante as críticas do PSD, CDS e do CH ao voto apresentado pelo Bloco de Esquerda, António Lima perguntou se estes partidos consideravam que António Guterres e Jorge Moreira da Silva não eram a favor da paz.
Recorde-se que o atual conflito já provocou cerca de 37 mil mortos na Faixa de Gaza, maioritariamente civis, incluindo 13 mil crianças.