Bloco assinala recuo do governo na hemodiálise mas quer garantias de que serviço não vai ser concessionado a privados

Bloco considera que a garantia de manutenção do serviço de hemodiálise no HDES é um passo importante, mas salienta que ainda é preciso garantir que a gestão do serviço não vai ser concessionada a privados, porque isso seria a criação de mais um monopólio com uma renda garantida, sem qualquer benefício para as centenas de doentes crónicos que dependem destes tratamentos. O Bloco enviou hoje um requerimento a pedir esclarecimentos ao governo.

O anúncio de que o serviço de hemodiálise irá manter-se no HDES é um recuo do governo, que surge pouco depois de o Bloco de Esquerda ter denunciado que estava a ser preparada a entrega deste serviço a uma clínica privada, que iria ser construída no Nonagon, com o apoio da autarquia da Lagoa.

Entretanto, também depois da denúncia do Bloco, o investidor – irmão da então presidente do conselho de administração do HDES – não deu continuidade ao processo de construção da clínica.

A privatização deste serviço seria um erro histórico, com prejuízo para a Região e para os doentes, e a sua concessão a uma empresa privada irá criar um novo monopólio, desta vez na Saúde, que se juntaria a outros como existe, por exemplo, no fornecimento de combustível à EDA.

A unidade de hemodiálise do HDES está há muito tempo a precisar de obras de ampliação e remodelação para tratar dos doentes com dignidade e para aumentar a capacidade por forma a responder às necessidades. Esta obra esteve prevista nos Planos de investimentos da Região desde 2023 – onde foi incluída por proposta do Bloco – mas o governo retirou-o do Plano de investimentos para 2026.

Entretanto, os dois planos funcionais para a reorganização e redimensionamento do HDES previam a externalização deste serviço. Uma decisão que só pode ter sido tomada com o consentimento do governo regional, que agora recua nesta intenção.

 

Hospital Modular era provisório, mas afinal será permanente

O presidente do governo anunciou também ontem que o hospital modular é afinal uma estrutura permanente, contrariando toda a propaganda que justificou a sua construção como estrutura temporária e de apoio.

No requerimento entregue no parlamento, o Bloco exige que o governo clarifique de que forma esta estrutura modular, que está distante do edifício principal, irá ser integrada na reorganização e redimensionamento do HDES.

O Bloco critica ainda o facto de o governo não ser capaz de apontar uma data para o início das obras, e muito menos, uma data para a sua conclusão.

Em junho de 2025, na última reunião da Comissão de Inquérito sobre o incêndio no HDES, o deputado António Lima manifestou o receio de que o hospital modular – que o Governo sempre afirmou ser uma solução provisória – se transformasse numa solução definitiva.

O Governo chegou mesmo a afirmar que os módulos poderiam vir a ser utilizados noutras ilhas, em caso de necessidade.

Mas ontem, em declarações à comunicação social, o presidente do Governo Regional veio confirmar que, afinal, o hospital modular é uma estrutura definitiva, e que foi dada indicação à administração para “aproveitar nesta reformulação do HDES a capacidade instalada com o modular”.

Assim se confirma, mais uma vez, que a opção pela construção do hospital modular a seguir ao incêndio não foi transparente, quer devido à ausência de uma avaliação comparativa com uma possível reabilitação urgente do edifício principal do hospital, que os técnicos do próprio hospital dizem teria sido possível, quer por ter sido veiculada a ideia de que seria uma instalação provisória.

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