Numa visita ao parque de máquinas das obras públicas, onde estão a ser depositados os inertes do terreno escolhido para a construção do novo estabelecimento prisional de São Miguel, ficou claro para o Bloco que este processo tem sido desastroso e que não há vontade política para a construção no novo estabelecimento prisional.
Para o deputado António Lima “esta obra não tem qualquer racionalidade e não parece que servirá para construir o estabelecimento prisional de São Miguel.”
Considerando a recente visita do Secretário de Estado da Justiça aos Açores, o deputado bloquista estranha que este não tenha sido um dos locais visitados e que “infelizmente o Secretário de Estado da Justiça não viu como está a ser gasto o dinheiro dos contribuintes”.
O processo de deslocação da bagacina da mata das feiticeiras para o parque de máquinas tem um custo de 3 milhões de euros e já conta com a deposição de um milhão e meio de metros cúbicos de bagacina. As bagacinas retiradas do terreno na mata das feiticeiras já foram suficientes para preencher uma cratera de uma pedreira e ainda criar uma elevação de algumas dezenas de metros de altura, numa área com quase 10 mil metros quadrados, sendo que a obra ainda decorrerá até final de 2022.
O Bloco vê ainda com preocupação a forma como o Governo Regional está a tratar do assunto ao afirmar ter confiança de que o processo irá agora avançar.
Para o deputado do Bloco, “o que o Presidente do Governo Regional deveria ter feito era exigir uma nova localização, pois este processo de transporte de um terreno para o outro só está a adiar ainda mais o processo, demonstrando que talvez não haja mesmo intenção para se construir este estabelecimento prisional.”
Relativamente aos vários processos que têm sido conduzidos a tribunal, António Lima considera “demasiada coincidência que tudo aconteça neste processo, quer o concurso para o transporte de bagacina quer para o projeto de construção”.
Para António Lima é preocupante que este seja um processo “apenas para entreter os açorianos, num terreno inviável e a gastar desnecessariamente dinheiro público, não existindo vontade política do Governo da República e do Governo Regional para a sua concretização.”
O deputado reforça ainda que “enquanto o PSD foi oposição criticava, com razão, a morosidade do processo, mas depois enquanto Governo Regional diz ter confiança de que agora é que avançará.”
Para o Bloco a solução teria sido a escolha de um terreno com características apropriadas para a construção desta infraestrutura, que permitiria nesta altura já ter a obra em andamento.
Para António Lima “neste momento nem concurso para o projeto temos, o que demonstra o desastre e irracionalidade da escolha feita.”