O Bloco de Esquerda Açores considera uma irresponsabilidade por parte do governo regional ainda não ter anulado o atual processo de privatização da SATA Internacional, e no último dia de mandato do conselho de administração da companhia aérea, ainda não ter anunciado a sua nova administração.
No passado dia 9 de abril, foi noticiado que a atual presidente da SATA apresentou a sua demissão, juntamento com o administrador financeiro, com efeitos a partir de 30 de abril.
Relembre-se que embora no imediato a justificação para a demissão tenham sido motivos pessoais, dias depois, veio a saber-se pela comissão de trabalhadores da Azores Airlines, que a presidente da SATA se demitiu alegando que o governo dos Açores "não ofereceu as condições necessárias para a administração continuar a desenvolver o projecto proposto", segundo noticiado nos órgãos de comunicação social.
Salienta-se que se atingiu o dia 30 de abril e tendo em conta a importância da SATA, a sua difícil situação e o processo de privatização em curso, o Bloco de Esquerda considera incompreensível que o governo regional ainda não tenha anunciado a nova administração, podendo ficar o grupo sem administração numa fase crítica da sua vida.
O Bloco de Esquerda considera ainda que o atual plano de negócios do grupo SATA está a ter resultados muito negativos que podem levar a companhia aérea a uma situação de emergência novamente. Os resultados negativos do grupo SATA em 2023 que atingem os 37,6ME de prejuízo (9,9ME de prejuízo na SATA Air Açores e 26ME de prejuízo na SATA Internacional) são um sinal muito preocupante do caminho muito perigoso para o qual o governo regional de direita leva o grupo SATA.
Para o Bloco o atual processo de privatização tem de ser travado, sendo, aliás, também esta a posição do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e até mesmo do conselho de administração da SATA cessante.
Recorde-se que o Bloco de Esquerda levou ao parlamento açoriano neste mês de abril, uma proposta para a anulação imediata da privatização da SATA Internacional, no entanto a proposta foi rejeitada com os votos contra da coligação, PSD, CDS e PPM, bem como o Chega e Iniciativa Liberal.
Perante tudo isto, é incompreensível a posição do governo regional em manter o atual processo de privatização, quando tudo indica que este processo se encaminha para “enterrar” a SATA.
António Lima, deputado do BE/Açores considera fundamental que seja desenvolvida uma nova estratégia para SATA que tenha em conta o facto de a empresa ser fundamental para o desenvolvimento dos Açores, uma região ultraperiférica com estatuto consagrado nos tratados europeus.
“A SATA Internacional é fundamental para a mobilidade dos açorianos e açorianas, para o desenvolvimento da economia e até mesmo para a autonomia económica da Região”, salientou o deputado.