O Bloco de Esquerda critica o Governo Regional por ter atrasado a realização do estudo sobre a alga invasora que está a provocar graves problemas às atividades marítimas em várias ilhas dos Açores e por não estar a aplicar as medidas de prevenção que o parlamento aprovou por unanimidade.
“Ao fim de dez meses o estudo não avançou e das medidas preventivas aprovadas não se está a fazer nada, e isso é dramático”, disse António Lima, em declarações aos jornalistas após uma reunião com a Comissão de Empresas de Mergulho de São Miguel, que também tem alertado para este problema.
Em setembro do ano passado, o parlamento aprovou uma proposta do Bloco que determinava a implementação urgentede várias medidas concretas para evitar a propagação da alga rugulopterix okamurae, uma espécie invasora que tem uma expansão muito rápida e em níveis muito agressivos.
Atualmente são conhecidos os impactos agudos desta alga em regiões onde esta espécie se tornou invasora, nomeadamente na biodiversidade marinha, nas pescas, com decréscimo nas capturas e operacionalidadedas artes, no turismo, com a degradação da qualidade de locais de mergulho, e na qualidade ambiental.
Nos Açores, esta alga já se está a alastrar em várias ilhas.
O Bloco de Esquerda assinalou hoje a demora do governo em agir para tentar impedir a expansão desta alga: “Quando a proposta foi discutida em plenário, o Governo disse que o estudo estava quase protocolado com Universidade dos Açores, mas até agora o estudo não avançou”, lamentou António Lima, assinalando que só depois de o Bloco tornar público o que este era o assunto da reunião com a Comissão de empresas de Mergulho de São Miguel é que o secretário regional do Ambiente veio anunciar o lançamento do concurso público para a realização do referido estudo sobre esta alga.
A proposta aprovada o ano passado no parlamento recomendava também ao governo a aplicação imediata demedidas de monitorização e deteção precoce nos portos, reforço da fiscalização das águas de lastro dos navios que navegam nos Açores e a realização de ações de formação junto dos utilizadores frequentes do mar – mergulhadores e pescadores, por exemplo – que ensinem a identificar a alga e transmitam a importância de contactar de imediato as autoridades.
No entanto, nada disso foi feito, e entretanto,“perderam-se 10 meses”, apontou o deputado do Bloco.
“Há coisas que são óbvias e que têm que se fazer já, para prevenir a expansão desta alga para ilhas onde ela não existe ainda”, e isso deve ser feito enquanto se realiza o estudo científico, explicou António Lima.