Considerando que a solução para a recuperação da economia passa por devolver o poder de compra às pessoas, a líder do Bloco de Esquerda/Açores defendeu a urgência da reposição dos subsídios de férias e de Natal, por parte do Governo Regional, lembrando que “foi o próprio vice-presidente que confirmou haver dinheiro para os pagar, e que isto só não aconteceu porque o Governo da República assim o disse”.
No âmbito da iniciativa “Encontros para o Futuro”, promovida pela Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Zuraida Soares apresentou, esta tarde, perto de duas dezenas de medidas para a dinamização da economia dos Açores.
O aproveitamento da posição geo-estratégica dos Açores para fins económicos – sendo a utilização da Base das Lajes como plataforma de apoio à aviação comercial uma das possibilidades –, e a criação de um Centro Internacional das Ciências do Mar e das Alterações Climáticas – com base no conhecimento e prestígio que têm o Departamento de Oceanografia e Pescas e Centro de Vulcanologia da Universidade dos Açores, por exemplo, foram duas propostas de fundo apresentadas como alavancas para transformar os Açores numa Região preparada para enfrentar e ganhar o futuro.
Como medidas mais imediatas, Zuraida Soares defendeu a elaboração de um Plano Integrado de Reabilitação Urbana entre Governo Regional e autarquias para a reabilitação de imóveis e espaços públicos, assim como uma linha de crédito, até 50 milhões de euros, para empréstimo a particulares que queiram fazer a reabilitação das suas moradias e prédios, com um prazo de carência de dois anos e zero de juros. Estas medidas teriam um grande impacto na redução do desemprego, nomeadamente no sector da construção civil.
No âmbito da política europeia, o Bloco de Esquerda pretende relançar a luta pela extensão da administração da Zona Económica Exclusiva dos Açores até às 200 milhas, a criação de um regime de excepção – no quadro das Regiões Ultraperiféricas – que permita obrigar o sector da distribuição alimentar a comprar uma percentagem anual fixa de produtos agrícolas regionais, e ainda a luta pela manutenção das quotas do Leite – no quadro da reforma da PAC – e, caso esta primeira fase não tiver êxito, encarar esta continuidade, no quadro nacional, como uma prioridade, nas negociações para a Região Ultraperiférica dos Açores.
Zuraida Soares insistiu ainda na defesa da elaboração de um Plano Integrado de Transportes para toda a Região, com o claro objectivo de baixar o preço dos transportes – nomeadamente o transporte aéreo –, na defesa da Universidade dos Açores com base na sua tripolaridade, na remodelação do Sistema de Incentivos ao Investimento, que privilegie a substituição de importações e a aposta em Inovação e Desenvolvimento, no fim das derrapagens financeiras “legais” até 25% em todas as obras públicas nos Açores.
A líder do BE voltou a defender também a reposição da Lei de Finanças Regionais de 2010, sem aumento de impostos para os Açores.