Bloco defende mudanças profundas na Agricultura nos Açores com aposta séria na diversificação e na produção biológica

O Bloco de Esquerda defende uma mudança de fundo na agricultura nos Açores para garantir mais autonomia alimentar à Região. Essa mudança estratégica passa por apostar na diversificação, reforçando a produção de hortícolas e frutícolas, incentivar o aumento da produção biológica e aproveitar melhor os investimentos no setor da carne para garantir mais rendimento aos produtores.

Num debate de urgência sobre Agricultura, hoje no parlamento, António Lima assinalou que a instabilidade internacional dos últimos anos provocou um aumento significativo dos custos de produção agrícola – como os combustíveis e os fertilizantes – expondo a enorme dependência dos Açores em relação a fatores externos.

Por isso, o Bloco considera que além de aliviar os custos de produção no imediato, o mais importante é implementar mudanças de fundo, com visão estratégica a longo prazo.

“O problema central é conhecido: a excessiva dependência de fatores de produção externos, quase todos importados, associado a falta de valorização dos produtos finais que levam a baixos preços pagos à produção e a dificuldades de escoamento”, o que leva a uma “dependência excessiva de apoios públicos”, afirmou o deputado do Bloco.

Para inverter esta situação e garantir maior autonomia alimentar à Região e aumentar os rendimentos dos produtores, António Lima aponta três linhas centrais: diversificar a produção, com uma aposta maior na produção de frutas e hortaliças, apostar no modo de produção biológico, que reduz a importação de fertilizantes e garante maior qualidade e valorização dos produtos, e ainda o aproveitamento de todo o potencial da rede regional de abate para aumentar os rendimentos dos produtores de carne e acabar com o transporte de gado vivo, que levanta sérios problemas relativamente ao bem-estar animal.

O Bloco considera que um dos exemplos mais evidentes da falta de coerência estratégica na política agrícola é o recurso crescente à exportação de animais vivos – com números semelhantes aos de há 10 anos – e a redução do número de abates quando a Região tem realizado investimentos públicos muito significativos na modernização da rede de matadouros.

“Esta evolução contraria a lógica do investimento público, desvaloriza a capacidade instalada nas ilhas e compromete uma estratégia que visava acrescentar valor localmente à produção”, aponta António Lima.

O Bloco salienta ainda que o modelo de produção assente no uso intensivo de fertilizantes provoca impactos ambientais que acabam também por se traduzir em riscos económicos e de segurança e reflete-se também na estrutura das receitas dos produtores.

Quanto à diversificação agrícola, os dados são preocupantes, porque mostram uma redução contínua da produção de frutas ao longo da última década, e a grande maioria dos apoios europeus continuam a ser direcionados para a agropecuária - 80% no caso do POSEI.

O Bloco lamenta que, “perante desafios tão profundos, o Governo continue a responder apenas com remendos, em vez de assumir a necessidade de mudar de rumo”.

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