A Autonomia tem de servir para “garantir uma vida melhor” aos açorianos e açorianas, afirmou hoje António Lima, nas comemorações do Dia da Região, em Ponta Delgada. O líder parlamentar do Bloco Açores salientou que a Autonomia “não pode ser só memória”, “tem de ser resposta, presente e futuro”.
O deputado do Bloco lembrou que a Autonomia “trouxe avanços reais, concretos, que mudaram a vida das pessoas”, e que “é escola, é hospital, é estrada, é porto, é salário, é trabalho, é casa, é dignidade”.
E hoje, é um instrumento que tem de continuar a servir para “melhorar a vida de quem cá vive”.
“Celebrar a autonomia é, antes de mais, celebrar quem trabalha fora dos palácios e dos gabinetes. É olhar para o pescador que se levanta de madrugada e enfrenta mais uma vez o mar. Para a operária da fábrica, que passa a vida inteira com o salário mínimo. Para a trabalhadora doméstica, que percorre infindáveis casas para pagar as contas ao fim do mês. Para o agricultor, que de sol a sol, vê os custos aumentarem e o rendimento encolher. Para a enfermeira, que soma horas extraordinárias para garantir que o hospital continua a funcionar. Para o pedreiro que, não vendo o seu trabalho valorizado, é empurrado para a emigração. Para o estudante que sonha, sair e um dia voltar”, assinalou António Lima.
“É desta gente — do seu trabalho, do seu suor, dos seus sonhos — que é feita a Autonomia”, acrescentou ainda.
No ano em que se comemoram os 50 anos da Autonomia dos Açores, o Bloco considera que ainda existem muitos desafios a ultrapassar: “os salários não chegam ao fim do mês, as desigualdades acentuam-se, o navio que se atrasa aumenta a conta no supermercado, e cada custo que sobe pesa diretamente na vida de toda a gente”.
“Só haverá futuro se a Autonomia for capaz de concretizar aquilo que Abril prometeu — uma vida digna para quem aqui vive – porque a Autonomia só faz sentido se for vivida pelas pessoas, e só dura se for útil”, concluiu o deputado do Bloco.