“O Bloco quer Áreas Marinhas Protegidas, queremos que sejam implementadas com urgência, e exigimos compensações a quem tiver perda de rendimentos, nomeadamente aos pescadores”, disse António Lima, no encerramento das Conferências Zuraida Soares, na cidade da Horta.
A intenção do Governo Regional em antecipar o objetivo de proteger 30% do mar dos Açores foi gerida com “incompetência, inação e insensibilidade social” por parte do Governo Regional, porque não está a cumprir o prazo que definiu para a implementação das Áreas Marinhas Protegidas, não está a ser capaz de promover o consenso necessário entre os vários sectores envolvidos, e não criou mecanismos para proteger quem vai ser afetado na sua atividade profissional por esta medida.
“Têm de existir compensações para quem tiver impactos negativos na sua atividade, porque a proteção do oceano tem que ser de todos e para todos”, frisou António Lima, alertando que “ninguém pode ser abandonado à sua sorte”.
O Governo Regional assumiu o compromisso que até ao final de 2023, as áreas marinhas protegidas iam abranger 30% do mar dos Açores, mas esse objetivo não vai ser cumprido, porque o Governo falhou no diálogo e na procura de soluções que levassem a um consenso entre comunidade científica e pescadores.
“Para existirem Áreas Marinhas Protegidas é necessário que haja uma maioria social que as reivindique e que as exija. É preciso que haja o maior consenso possível na comunidade científica e é preciso que haja apoio de quem depende do mar para viver”, assinalou António Lima.
Além do tema da conservação do oceano, que contou com a participação de Carlos Dâmaso, do Observatório do Mar dos Açores, e de Pedro Afonso, investigador, a edição de 2023 das Conferências Zuraida Soares – o fórum anual do Bloco de Esquerda Açores que põe em debate temas ligados à democracia, liberdade e direitos humanos – abordou também questões relacionadas com o ativismo feminista, contando com intervenções de Catarina Martins, ex-coordenadora do Bloco, assim como com as artistas Raquel Vila e Helena Bulcão, do Coletivo Sem Capotes.
No encerramento do evento, António Lima abordou também este tema, salientando que é preciso falar mais de feminismo nos Açores, porque há ainda muito por fazer, quer ao nível do combate à violência sobre as mulheres, quer ao nível da conquista do espaço público e da representação política das mulheres.
“Por vezes, há quem queira passar a ideia de que está tudo feito, e que já se conseguiu alcançar a igualdade, mas não está”, assinalou o deputado do Bloco, acrescentando que “o combate pela igualdade, que é o feminismo, não nos pode cansar”.
António Lima deu mesmo um exemplo concreto da desigualdade que persiste: “Quando numa das maiores empresas dos Açores, que é uma empresa pública, temos apenas 18% de mulheres, alguma coisa está mal”.