Bloco entrega a Montenegro carta aberta que pede proibição da utilização da Base das Lajes pelos EUA para guerra com o Irão

O Bloco entregou hoje ao primeiro-ministro uma carta aberta assinada por 8500 pessoas que condena o ataque de Israel e dos EUA ao Irão e que defende a proibição da utilização da Base das Lajes nesta guerra.

Passado um mês do início desta agressão militar, e num momento em que é “tão claro que esta guerra é uma guerra contra o direito internacional e que cada bomba que Donald Trump e Netanyahu lançam sobre o Irão é uma subida em flecha do preço dos bens essenciais em Portugal”, o coordenador nacional do Bloco de Esquerda diz que “custa a crer que o Governo continue a ter uma posição de grande cumplicidade”.

E a notícia da chegada, esta segunda-feira, à Base das Lajes dos aviões não tripulados MQ-9 Reaper, também conhecidos por “drones assassinos”, só “agrava essa cumplicidade do governo português”.

“O que viemos aqui trazer ao Governo foi precisamente uma carta aberta subscrita por cerca de 8.500 pessoas que dão voz a este sentimento de indignação” e de exigência ao governo para que proíba “realmente e não retoricamente” a utilização da Base das Lajes para apoiar a agressão ao Irão.

“Esta carta não faz mais, afinal de contas, do que exigir a mesma atitude que os nossos vizinhos em Espanha assumiram hoje mesmo com a proibição da utilização do espaço aéreo espanhol”, prosseguiu Pureza.

Questionado pelos jornalistas sobre o silêncio do Governo em torno da chegada dos “drones assassinos” à ilha Terceira, Pureza diz que esta é a prática habitual do executivo de Luís Montenegro: “nunca confirma, nunca desmente, mas a verdade é que os factos dão razão a quem olha para isto com enorme preocupação e com enorme revolta”.

O coordenador bloquista destacou ainda “o agravamento brutal do custo de vida que a guerra alimenta através da subida do preço dos combustíveis e, por arrasto, a subida em flecha do preço de todos os bens essenciais, com um agravamento muito preocupante das condições de vida de quem já tem um rendimento muito baixo e vive vidas de aflição”.

Por essa razão, José Manuel Pureza entende que “há muita gente no nosso país que olha para esta guerra com uma enorme indignação, uma enorme preocupação e que se sente lesada enquanto tal na sua carteira do dia a dia”.

Na passada quinta-feira, o deputado do Bloco na Assembleia da República, Fabian Figueiredo, questionou os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, requerendo “a cronologia exaustiva e detalhada com a listagem completa de todas as solicitações e notificações recebidas por parte dos EUA referentes à utilização do espaço aéreo sob jurisdição nacional e das instalações da Base das Lajes” desde a altura da preparação do ataque ao Irão.

Fabian Figueiredo questionou também o governo sobre o MQ-9 Reaper, que estão a chegar aos Açores e que são “ o equipamento aéreo não tripulado mais letal do arsenal dos EUA, criado explicitamente para papéis de ataque e assassinatos seletivos”. O objetivo é perceber se os EUA já responderam às perguntas colocadas pela Autoridade Aeronáutica Nacional e qual é essa resposta. 

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