O Bloco de Esquerda quer explicações do Governo da República sobre a autorização do envio de animais de zonas afetadas com DHE, uma doença altamente contagiosa, do continente para os Açores sem realização de quarentena.
O requerimento enviado pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda na Assembleia da República questiona o Ministério da Agricultura e da Alimentação sobre a existência de “pressões ao mais alto nível” relatadas por um órgão de comunicação social, e que terão obrigado as autoridades veterinárias açorianas a autorizar a importação destes animais sem quarentena.
O Bloco de Esquerda não compreende como é possível que a Direção Geral de Alimentação e Veterinária tenha autorizado o transporte destes animais, principalmente sabendo que em setembro uma decisão idêntica levou ao abate de dezenas de animais para evitar o contágio da doença, e sabendo que o desfecho seria, desta vez, o mesmo.
O Bloco alerta que o envio de animais de zonas afetadas com a doença DHE, ainda por cima sem quarentena, poderia ter causado uma situação de contágio nestas ilhas, obrigando à morte de milhares de animais e a um cenário dramático para os pequenos agricultores da Região.
“Esta parece ser uma situação gravíssima de instigação ao desrespeito das regras mais elementares de proteção e sanidade animal por parte das mesmas autoridades que as deviam fiscalizar”, refere o requerimento do Bloco de Esquerda.
A Doença Hemorrágica Epizoótica (DHE) é uma doença viral que afeta os ruminantes, com sintomas como lesões na mucosa da boca, inchaço por todo o corpo, dificuldade em caminhar, salivação, diarreia com sangue e febre. Apesar de não infetar humanos, não existe atualmente vacina nem cura para a DHE.
Antes de chegar à ilha do Pico, o navio que trouxe estes bovinos vindos do continente fez escala em Ponta Delgada, na Praia da Vitória e na Graciosa, onde foi carregado um contentor com animais que viajaram ao lado do contentor com animais do continente, o que significa que animais possivelmente contaminados passaram por diversas ilhas dos Açores.
Dos 36 animais da Graciosa alguns apresentaram sinais de contaminação o que levou a que os animais fossem queimados para evitar uma situação de contágio. O contentor com animais do continente foi devolvido após chegar à ilha do Pico.
O Bloco de Esquerda aguarda agora explicações do Governo da República sobre esta situação.