Bloco insiste na integração dos trabalhadores com contrato covid para acabar com a precariedade promovida pelo PS e agravada pela coligação

O Bloco de Esquerda considera que os mais de 500 trabalhadores do Serviço Regional de Saúde com contrato precário – ao abrigo dos chamados contratos covid – são essenciais e têm de ser integrados nos quadros. O ano passado o Bloco propôs a integração destes trabalhadores, mas a coligação de direita rejeitou a proposta, que dizia ser populista.

Passado um ano, e depois de o número de trabalhadores com contrato precário no Serviço Regional de Saúde, ter aumentado de 300 para 500 trabalhadores, o Governo da coligação de direita apresenta a mesma proposta.

“O Governo Regional de direita, que criou um problema de precariedade desta dimensão no Serviço Regional Saúde, vinha agora dizer que queria resolver o problema. Quem criou o problema e não o quis resolver há um ano, não tinha qualquer intenção de resolver agora”, disse hoje António Lima, coordenador do Bloco de Esquerda Açores, após reunião com o conselho de administração do Hospital de Ponta Delgada.

“No que depender do Bloco de Esquerda, estes trabalhadores precários serão integrados no Serviço Regional de Saúde”, assegurou António Lima, que é também o primeiro candidato do Bloco às próximas eleições regionais.

O coordenador do Bloco considera importante tranquilizar as centenas de trabalhadores que têm estes contratos precários, e revela que a administração do HDES garantiu que todos estes contratos continuarão em vigor até à entrada em funções do próximo governo regional, no seguimento das próximas eleições.

António Lima manifestou também grande preocupação com a falta de financiamento do Serviço Regional de Saúde, uma opção política que vem do tempo do PS e que este governo de direita disse que ia resolver, mas apenas agravou.

A falta de financiamento do Serviço Regional de Saúde vai ter consequências gravíssimas: vai deixar o Serviço Regional sem capacidade de investir, sem capacidade de adquirir os bens e serviços de que necessita a tempo e horas, sem capacidade de contratar os recursos humanos de que precisa, e sem capacidade de cumprir os seus compromissos com fornecedores.

O coordenador do Bloco dá o exemplo do HDES, que o ano passado teve um resultado negativo de 13 milhões de euros, e este ano deverá chegar aos 26 milhões de euros negativos. “Um número brutal” e uma situação “insustentável”, que “tem que acabar”.

A solução passa por garantir que o Serviço Regional de Saúde é bem gerido, com muito rigor, mas também “tem que ser adequadamente financiado”.

A precariedade nos serviços públicos e a falta de investimento na Saúde “não é de agora, vem dos governos do PS”, assinalou António Lima, acrescentando que “são duas faces da mesma moeda, dois governos e a mesma consequência nos serviços públicos: precariedade e falta de investimento”.

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