O Bloco de Esquerda lamenta que o Governo Regional manifeste estar satisfeito com a possibilidade remota da vinda de algumas famílias de militares norte-americanos para a Base das Lajes, uma “visão curta e provinciana” para o futuro da Terceira, que contraste totalmente com a perspetiva do reconhecido respeitado especialista em política internacional - o açoriano Miguel Monjardino – que afirmou recentemente que uma aposta na interação entre mar e atmosfera em que “a componente militar não seria a dominante” é “uma grande possibilidade”.
Numa sessão de perguntas ao governo sobre o desenvolvimento da ilha Terceira, António Lima, salientou que “o Bloco de Esquerda, há mais de uma década, tem vindo a insistir que a posição geoestratégica dos Açores e as infraestruturas da Base das Lajes têm que estar ao serviço da economia da Região” e que “os Açores não podem estar reféns dos interesses dos EUA, que retiram possibilidades à região”.
Em sucessivas campanhas eleitorais e no debate parlamentar, o Bloco tem insistido nas vantagens de uma aposta num modelo económico diferente do atual, um modelo de desenvolvimento que tire partido da posição geoestratégica dos Açores e das suas potencialidades ao nível das condições únicas para uma aposta no conhecimento, particularmente virado para o estudo do mar e do clima, duas áreas determinantes para o futuro da economia e da humanidade.
Há poucos dias, um reconhecido e respeitado especialista em política internacional - o açoriano Miguel Monjardino - a propósito do seu mais recente livro, revelou, numa entrevista, que o caminho para a Base das Lajes pode estar na interação entre mar e atmosfera, referindo que “essa é uma grande possibilidade que nós temos, obviamente, levará tempo, mas é algo mais permanente e que dá origem, lentamente, a empregos qualificados”.
Em sentido contrário, o Governo Regional, pela voz do vice-presidente congratulou-se com a possibilidade - ainda que remota - de a Base das Lajes voltar a receber famílias de militares, uma hipótese que foi avançada pelo comandante norte-americano da Base das Lajes, que afirmou que ter 45 famílias seria o equivalente a “ganhar a lotaria”, mas que se conseguisse “uma pessoa já é bom”.
“São estas declarações que deixam o vice-presidente do Governo satisfeito”, lamentou o deputado do Bloco de Esquerda, lembrando que há pouco mais de um ano, o mesmo membro do governo dizia que os Açores tinham que “ser determinados e duros na negociação" com EUA.
“Vai o governo regional deixar a ilha terceira permanentemente dependente da vontade e dos humores da administração norte-americana, ou vai colocar os interesses da ilha em primeiro lugar apostando no conhecimento, na ciência e em atividades civis que possam trazer novas oportunidades à ilha Terceira?”, foi a pergunta que António Lima fez ao vice-presidente.
Ainda sobre o desenvolvimento da Terceira, a deputada Vera Pires mostrou-se preocupada com os efeitos negativos que a privatização da SATA pode ter nas ligações entre a Terceira e o continente, que, sendo uma rota liberalizada, passará a estar dependente “apenas da vontade das companhias aéreas”.
“Sendo esta, das duas rotas liberalizadas aquela com menor fluxo de passageiros, não é difícil adivinhar para onde as companhias aéreas concentrarão voos em caso de necessidade: para Ponta Delgada”, referiu a deputada do Bloco, que perguntou ao governo como iria garantir aos terceirenses o mesmo nível de ligações que a Terceira tem hoje com o exterior.