O Bloco de Esquerda lamenta que o Governo Regional do PSD, CDS e PPM seja incapaz de se demarcar da proposta indecente apresentada pelo Chega que ataca os mais pobres, porque os exclui de um apoio à natalidade no valor de 1500 euros a que terão direito apenas as famílias que não recebem apoios sociais.
Ainda antes do início do debate do Orçamento dos Açores para o próximo ano, o deputado do Chega disse que só votava a favor deste documento se fosse incluída uma medida de apoio à natalidade que deixasse de fora quem recebe apoios sociais. A seguir o deputado Carlos Furtado disse só votaria a favor do Orçamento se esta medida de apoio à natalidade não discriminasse os mais pobres.
Os dois deputados dizem que o Governo lhes garantiu que a sua exigência foi cumprida. Mas o deputado António Lima, do Bloco de Esquerda, alertou que um dos deputados foi enganado, porque as suas exigências são contrárias e não podem ser as duas atendidas em simultâneo.
Por isso, o deputado do Bloco de Esquerda pediu um esclarecimento ao vice-presidente do Governo Regional: “Quero que o senhor esclareça se o apoio à natalidade que o Governo vai criar inclui, ou não, os beneficiários do RSI? É só isso que quero que responda, para saber quem é que está a ser enganado: o deputado José Pacheco ou o deputado Carlos Furtado”.
O vice-presidente não se demarcou da proposta do Chega, dizendo apenas que “este é um projeto que não exclui ninguém”. Mas o deputado do Chega insistiu que “obviamente que não vamos somar apoios sociais”, já depois de ter dito ao jornal Expresso que “se é para dar o apoio à natalidade ao pessoal do RSI, não contem comigo”.
Perante esta falta de clareza e de transparência do governo, António Lima considerou que este é “o pior governo da Autonomia”.
“Este governo não tem a coragem de dizer se está com o deputado Carlos Furtado ou com o deputado José Pacheco”, porque o que quer “é manter o poder a todo o custo, nem que para isso tenham que fazer estas tristes figuras”.
António Lima insistiu que a única preocupação deste governo foi fazer o Orçamento passar, mesmo que para isso tenha que “enganar todos os açorianos” com este “teatro de sombras, em que não assumem as suas propostas e não se demarcam de uma proposta indecente que foi aqui feita” pelo Chega.
O Bloco de Esquerda lamenta que o Chega traga o ódio aos pobres para o parlamento dos Açores, e lamenta ainda mais que “tudo isto tenha o aval do Governo e da maioria”: PSD, CDS e PPM.