Perante as recentes declarações do subsecretário regional da Presidência, que pôs em causa a concretização da estação das Flores da Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE), o Bloco de Esquerda propõe que o Governo Regional, o Instituto Geográfico Nacional de Espanha e a Associação RAEGE-AZ sejam chamados a prestar esclarecimentos no parlamento sobre o futuro deste projeto e particularmente sobre o investimento na estação das Flores.
“Não há interesse dos parceiros internacionais na ilha das Flores”. Foi esta frase, proferida a semana passada pelo subsecretário regional da Presidência no parlamento, em resposta a uma questão colocada pela deputada Alexandra Manes, que deixou o Bloco de Esquerda preocupado quanto às intenções do Governo para a estação RAEGE na ilha das Flores, um investimento que será importante para fixar jovens altamente qualificados na ilha.
O Bloco de Esquerda considera que a estação RAEGE das Flores é fundamental para que o projeto cumpra o seu propósito – porque é a única que estará situada na placa norte-americana – e lembra que a sua construção é um compromisso assumido pela Região e é uma contrapartida pelo investimento já realizado por Espanha na ilha de Santa Maria.
O projeto RAEGE teve início com a assinatura de um protocolo entre o Governo dos Açores e o Instituto Geográfico Nacional de Espanha, que aponta um investimento total de 25 milhões de euros, distribuídos da seguinte forma: 20 milhões da responsabilidade de Espanha, 5 milhões da responsabilidade dos Açores.
Entre as responsabilidades dos Açores constam, expressamente, os investimentos necessários para a construção da Estação da ilha das Flores. Por isso, o Bloco de Esquerda considera importante ouvir todos os intervenientes, por forma a que fiquem claras as responsabilidades assumidas por cada entidade e se houve alguma mudança de estratégia ou de objetivos que possam ter levado à alegada falta de interesse na estação da ilha das Flores.
A Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE) é um projeto que envolve o Governo Regional dos Açores e o Governo de Espanha que consiste na construção, instalação e exploração de quatro estações geodésicas fundamentais: duas em Espanha (Yebes e Gran Canária) e duas nos Açores (Santa Maria e Flores).
Para gerir e coordenar a participação dos Açores neste projeto foi criada a Associação RAEGE-AZ.
De acordo com informação do site da internet da RAEGE-AZ, os equipamentos que são instalados nas estações do projeto RAEGE “fornecem uma infraestrutura geodésica necessária para a monitorização do planeta terrestre capaz de fornecer dados de alta precisão para a comunidade científica, que permitam quantificar as mudanças no espaço e no tempo do nosso planeta. As observações permitem mapear e monitorizar as mudanças na forma, rotação e distribuição de massa da Terra, contribuindo para a atualização dos referenciais terrestes internacionais (ITRF) e assim ser possível estudar questões de relevo como as associadas às alterações climáticas, estimativas na variação do nível médio das águas do mar, etc.”.
A proposta de audição do Governo Regional, do Instituto Geográfico Nacional de Espanha e da RAEGE-AZ foi entregue com caráter de urgência ao presidente da Comissão de Assuntos Sociais e será votada numa próxima reunião.