O Bloco de Esquerda propõe distribuição gratuita de produtos de saúde menstrual nos Açores. A proposta pretende atenuar as desigualdades de género – porque esta é uma despesa adicional que apenas as mulheres têm e que não é uma escolha, mas uma questão biológica – e também promover a saúde e combater a exclusão – porque muitas mulheres não têm possibilidade financeira para comprar estes produtos, o que traz consequências negativas a nível social e psicológico.
A proposta foi apresentada ontem à noite pela deputada Alexandra Manes numa sessão pública, em Angra do Heroísmo, com o tema “Pobreza e saúde menstrual”, que contou também com intervenções da psicóloga Raquel Costa e da enfermeira Ana Matos.
A deputada do Bloco de Esquerda salienta que os estudos demonstram que as mulheres são mais afetadas pelo fenómeno da pobreza do que os homens e que a precariedade laboral e a sazonalidade laboral afetam também mais as mulheres.
A juntar a estes fatores sociais que penalizam económica e financeiramente de forma particular as mulheres, junta-se a menstruação, um fator biológico que implica despesas mensais relevantes para o orçamento familiar.
“O Bloco pretende que, de uma vez por todas, se entenda os produtos relacionados com a menstruação como bens básicos essenciais”, disse Alexandra Manes, que acrescentou: “Não se pode pedir a uma mulher em situação de pobreza, por exemplo, que esteja a pagar por estes produtos que são necessários para a sua saúde”.
Neste sentido, a proposta que o Bloco vai levar ao parlamento dos Açores propõe que seja garantida a distribuição gratuita de produtos de recolha menstrual nos centros de saúde e nas escolas.
“Muitas vezes, há meninas e mulheres que, por não terem possibilidade de adquirir estes produtos básicos, faltam às aulas ou faltam ao trabalho, e são vítimas de bullying. Depois cria-se um ciclo: a situação social e laboral a que ficam expostas leva ao aumento da pressão psicológica”, referiu a deputada do Bloco.
Estes produtos devem também ser disponibilizados a populações excluídas, como mulheres reclusas e mulheres sem abrigo.
A proposta tem ainda uma importante vertente de educação para promoção da saúde, porque recomenda ao governo que as Unidades de Saúde de Ilha e pela Saúde Escolar realizem ações de informação e esclarecimento acerca da utilização e variedades dos produtos de recolha menstrual.
O Bloco salienta que a distribuição gratuita destes produtos de saúde feminina já acontece, por exemplo, na Escócia e na Nova Zelândia, e que os Açores têm aqui uma oportunidade de ser pioneiros numa importante mudança de mentalidade e na promoção da igualdade de género e combate à pobreza.