Esclarecimentos do Governo Regional sobre o aparecimento anormal de aves mortas deixam ainda muitas dúvidas ao Bloco de Esquerda, que enviou hoje um novo requerimento sobre o assunto. Bloco quer que o Governo confirme se a Doença de Newcastle foi a causa da morte dos pombos e das rolas e se foi investigada e excluída a hipótese de envenenamento e qual a causa de morte de aves de capoeira que não tinham a Doença de Newcastle.
No documento enviado hoje ao governo, o Bloco quer também mais esclarecimentos sobre a atuação das autoridades no caso em que uma pessoa teve sintomas compatíveis com a Doença de Newcastle depois de ter estado em contacto com aves encontradas mortas.
No início do mês de agosto, perante relatos de mortalidade anormal de pombos e outras aves em diferentes ilhas dos Açores, o Bloco dirigiu ao Governo Regional um requerimento solicitando informação sobre a dimensão da mortandade, as espécies afetadas, as análises realizadas, as hipóteses de diagnóstico em investigação e as medidas de acompanhamento adotadas.
As respostas do Governo deixaram muitos aspetos por esclarecer, por isso, o Bloco volta hoje a enviar um novo conjunto de perguntas.
Perante relatos públicos de mortalidade de outras espécies e referências à eventual utilização de substâncias tóxicas, o Bloco quer saber se foi estudada a hipótese de morte por envenenamento.
Até porque o governo revela que todos os pombos e rolas analisados tinham o vírus da Doença de Newcastle – uma situação muito comum por toda a Europa, como refere uma recente nota informativa da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária – mas não o aponta como causa de morte. Além disso, a DGAV não identifica os Açores como zona com surto de Doença de Newcastle, e as aves de capoeira que foram analisadas não tinham o vírus da Doença de Newcastle. Logo, nestes casos, a causa de morte terá sido outra.
É por isso fundamental perceber se os vírus identificados em diferentes ilhas foram geneticamente comparados e se os resultados disponíveis permitem estabelecer relações epidemiológicas entre as ocorrências e formular hipóteses sobre as vias de disseminação.
Em relação às aves domésticas, embora todos os resultados laboratoriais concluídos nestas aves tenham sido negativos para a Doença de Newcastle, importa esclarecer quantos animais foram analisados, em que ilhas e explorações ocorreram essas mortalidades e se foram determinadas as respetivas causas de morte.
O Bloco quer mais esclarecimentos também sobre a forma como o Governo lidou com este assunto desde o início, quer em termos de comunicação, quer em termos de respostas técnicas.
Tendo em conta que os primeiros relatos de aves mortes ocorreram em junho, mas só em agosto o governo comunicou institucionalmente e publicamente o problema, o Bloco quer conhecer a cronologia da investigação desde junho, quando foram realizadas as primeiras recolhas e análises, quando surgiram os primeiros resultados laboratoriais e de que forma a ocorrência se foi estendendo às restantes ilhas.